09 de julho de 2026
Bairros

Época de preparar a casa para as chuvas de verão

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Faltam aproximadamente três meses para a chegada do verão. E assim como a primavera, as previsões para a estação incluem altas temperaturas e clima favorável ao registro de muitas chuvas e, também, à formação de granizo. Combinados, esses fatores podem trazer sérios riscos à estrutura das residências. Por isso, este é o momento para acelerar o término de uma obra ou fazer reformas.

Mas como prevenir as construções dos estragos causados pelas chuvas, como fissuras, infiltrações, telhas quebradas e calhas entupidas por folhas de árvores? A resposta é complexa, mas o primordial é entender que tanto para quem está iniciando uma obra quanto para aqueles que já possuem uma casa pronta, tudo começa no subsolo, no alicerce que dá a sustentação do imóvel e evita grande parte desse conjunto de problemas.

De acordo com o engenheiro Eric Fabris, a cidade de Bauru possui um solo colapsível por ser muito arenoso, então a fundação, que nada mais é do que um procedimento que fortalece o solo e sustenta a obra, é fundamental.

“A areia do solo de grande parte da cidade é floculada. O que une esses grãos de areia é justamente a coesão da água. Entre eles fica um vazio. Então, o que acontece, é que com a primeira chuva a tendência é que ele fique saturado. A pressão da água faz esses grãos se desgrudarem e, consequentemente, eles se movimentam”, explica.

Se a casa ou prédio não tiver uma boa fundação, principalmente em solo colapsível, a tendência é que com o passar dos anos e com a umidade das chuvas, essa areia floculada se movimente devido à penetração da água, ou seja, o solo pode afundar lentamente ou rapidamente e isso pode danificar a construção.

“As rachaduras já indicam que há algum problema ali. Um exemplo claro na cidade é a Igreja Santa Teresinha. Como não tinha uma boa fundação, o prédio cedeu e pendeu para um lado, causando rachaduras comprometedoras na estrutura. Uma boa fundação salva a construção de infiltrações vindas do solo e rachaduras que condenam a obra”, relembra Eric.

Sondagem

Para saber quanto de fundação é necessário para sustentar a residência, é necessário saber quanto de solo arenoso há abaixo da obra. “Em Bauru, o solo arenoso varia entre 2 e 9 metros de profundidade. Para descobrir isso basta fazer uma sondagem, que testa a resistência do solo a cada metro. Esse procedimento custa, em média, R$ 2.500,00, pode evitar danos futuros e até salvar uma obra. Para fazer uma fundação profunda em solos que cederam, o custo pode girar em torno de R$ 5 mil”, completa Eric.

Outras soluções mais baratas que são muito utilizadas atualmente para a correção desses colapsos são as estacas hidráulicas. Elas consistem em tubos de concreto que são posicionados verticalmente e prensados com um macaco hidráulico, de forma que a hora em que alcança o solo sustentável, quase rocha, ele acaba empurrando a área que cedeu para cima, corrigindo o desnível.

“Essa solução é discutível, já que, se acontecer outra movimentação no solo, esses tubos de concreto vão se movimentar, como eu já presenciei em algumas obras. A melhor solução ainda é a prevenção”, frisa o engenheiro.

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Previsão é de fortes chuvas e até granizo

Apesar do aquecimento da superfície terrestre, a primavera terá suas características preservadas: calor e chuvas intensas. É o que afirma José Felipe Farias, meteorologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTec).

“Como as temperaturas serão altas e o tempo estará tipicamente úmido, essa umidade pode formar nuvens de tempestade que geralmente chegam de 12 a 15 quilômetros de altura. Nesse ponto, elas se deparam com temperaturas que variam entre 60 e 70 graus negativos, o que pode favorecer a formação do granizo”, ressalta.

Neste caso, para evitar surpresas e as indesejáveis goteiras, vale checar como está o estado de conservação das telhas. De acordo com o engenheiro Eric Fabris, uma telha de boa qualidade não se quebra com facilidade e também não necessita ser impermeabilizada.

“A impermeabilização é desnecessária quando uma telha é de boa qualidade. Mesmo com o passar dos anos ela deve permanecer intacta”, frisa.

O posicionamento correto dessas telhas também é fundamental. “Quando as telhas estão intactas mas mal posicionadas, acaba passando umidade por ali. Muitas pessoas têm goteiras nas casas e não notam que as telhas estão mal posicionadas. Elas têm um jeito correto de ser instaladas e aglomeradas de forma com que não deixem nenhuma brecha nesse telhado”, acrescenta o engenheiro.

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Vigas de qualidade

Logo no início de uma construção, outro ponto importante é escolher vigas baldrame de qualidade para fazer o alicerce. “As vigas baldrame sustentam as paredes da casa. Se elas forem de qualidade ruim é comum elas cederem e formarem uma barriga, o que também pode causar rachaduras que prejudicam a estrutura dessa parede”, explica o engenheiro Eric Fabris.

Além disso, o concreto bem feito evita trincas que futuramente podem levar infiltração para a estrutura de aço da casa. A mistura ideal é bem simples: areia grossa, pedra, cimento e água. O segredo, segundo Eric, está na água e no cimento.

“Se o cimento fica muito mole, isso pode ser ruim futuramente. Se fica muito duro também pode ser um problema. Mas o importante é comprar material de qualidade para evitar problemas”, orienta o engenheiro.

Para saber se o cimento é de qualidade, basta realizar um teste. “É claro que isso tem um custo, e geralmente esse teste é feito para a construção de grandes obras, como, por exemplo, os prédios. Mas o teste de qualidade evita, por exemplo, a demolição de um andar inteiro de um prédio”, acrescenta Eric.