09 de julho de 2026
Política

Mesmo com dificuldade, cidadão não deixa de votar

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Uma demonstração de cidadania. Durante as eleições realizadas ontem em todo o País, muitos bauruenses que estavam desobrigados de comparecer às urnas fizeram questão de marcar presença nas seções eleitorais do município para exercer seu direito de voto.

Por lei, a participação no processo é facultativa para pessoas com mais de 70 anos, mas o bancário aposentado Mauro Pereira, 81 anos, não abre mão de fazer sua escolha em todos os processos eleitorais. E ontem, não foi diferente. Com a ajuda de um andador, enfrentou as escadas da entrada da Escola Estadual Ernesto Monte, que não possui acesso com rampa, e cumpriu seu dever cívico.

“É importante participar, porque depende do nosso entendimento a definição das pessoas que vão nos representar politicamente. Não penso no meu bem individual, mas sim na coletividade”, afirma ele, que ressaltou ter a preocupação em analisar os nomes e o passado de cada candidato para não errar o voto.

Também no Ernesto Monte, a professora aposentada Cleide Canova - cadeirante há três anos em razão de um derrame - foi ajudada a superar os degraus de entrada por pelo menos quatro voluntários, além de sua filha, Lia, e uma enfermeira. Depois da pequena aventura, pôde concluir sua votação com tranquilidade na instituição da qual foi funcionária por 40 anos. “Quem não vota não tem o direito de reclamar depois, se os candidatos eleitos forem ruins. A responsabilidade é grande”, comenta.

Tão determinada quanto Cleide, Sandra Luzia de Freitas Machado, 50 anos, foi às urnas ontem para garantir o voto de seus candidatos. Com extrema dificuldade para caminhar desde que sofreu uma fratura de vértebra, há cinco anos, quando caiu de uma escada, ela foi até a Escola Estadual Professor Christino Cabral apoiada nos braços do marido Luiz Carlos.

“Acho que todo cidadão tem que votar, não pode deixar de exercer esse direito. Meu marido me ajudou, foi comigo até a urna, então consegui votar. Depois passo em uma farmácia para tomar um remédio para diminuir as dores, mas queria muito participar”, conta ela.

Frustração

Também empolgada com a ‘festa da democracia’, a aposentada Ruth da Silva Nham, 84 anos, não teve a mesma sorte. Como sua seção ficava no primeiro andar da escola Christino Cabral, ela não pôde registrar seu voto por não ter condições físicas de vencer pelo menos dois lances de escada.

“Saí contente da minha casa para cumprir meu dever de cidadã, e não vou poder votar. É a primeira vez que isso acontece, mas infelizmente, a idade foi chegando. Estou frustradíssima”, lamentou. Minutos depois, Ruth chegou a ser informada de que uma urna seria disponibilizada no andar térreo, mas devido à demora, ela acabou indo embora.

Lídia Gaspar, 74 anos, foi outra eleitora que esteve no Ernesto Monte, assim como dezenas de bauruenses da terceira idade que compareceram à instituição de ensino com invejável lucidez e vitalidade.

“Sou cidadã participativa e quero saber de tudo. Se todo mundo fosse mais preocupado com seus direitos, a situação do nosso País estaria muito melhor”, analisa ela, que até foi à manicure para poder participar das eleições de unhas feitas.

Eleitora de longa data, ela considera a política atual “uma tristeza”, mas se diz estimulada por acreditar na existência de políticos honestos e comprometidos com o dever para o qual a população os designa.

“É só ter disposição para pesquisar um pouco, que a gente acha alguém bom. Mas penso que o bauruense precisa começar a votar mais em candidatos da cidade e do Estado de São Paulo. Temos que defender o que é nosso”, ensina Lídia.