10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Caixa prevê R$ 14 bi a moradia em SP

Por Wilson Marini | Rede APJ
| Tempo de leitura: 5 min

A Caixa Econômica Federal deve terminar 2010 com um volume em financiamento habitacional de R$ 70 bilhões no País, dos quais R$ 14 bilhões no Estado de São Paulo, segundo a presidenta do banco, Maria Fernanda Ramos Coelho. Até o dia 24 de setembro, a instituição havia aplicado em habitação R$ 52,69 bilhões, o que é um recorde na história da Caixa.

O valor já é maior que o montante atingido em todo o ano de 2009 (R$ 47,05 bilhões), que por sua vez é o ano de maior investimento na área, e mais que o dobro do total emprestado em 2008 (R$ 23,3 bilhões).

“Não se trata de um acontecimento sazonal ou isolado, mas de um ciclo virtuoso e sustentável”, afirma Maria Fernanda. Em 2003, primeiro ano do governo Lula, foram aplicados R$ 5 bilhões. O número de contratos de 2010 (848.026) já representa 94,5% do total atingido em 2009 (896.908).

Atualmente, o banco empresta por dia R$ 286,7 milhões para a casa própria, ou 4,5 mil contratos. Os números foram divulgados em Brasília, em entrevista exclusiva à Rede APJ, da qual faz parte o Jornal da Cidade, e à Associação dos Diários do Interior (ADI-Brasil).

Programa

A presidenta da Caixa confirmou que a meta de contratos do programa “Minha Casa, Minha Vida” continua sendo de 1 milhão de unidades desde a criação do programa em abril de 2009 até dezembro de 2010. Desde então, foram contratadas 680.045 unidades, das quais 654.550 pela Caixa, no valor de R$ 37,29 bilhões.

Segundo Maria Fernanda, as propostas de empreendimentos em análise pelo banco chegam a 433.188 moradias, que somadas às já contratadas, perfazem 1.087.738 unidades. Até 2014, a meta é construir um total de 2 milhões de unidades pelo programa, nas faixas de 0 a 3 salários mínimos e de 3 a 6 salários mínimos. O maior déficit está na faixa até três salários mínimos. O mercado vive um momento de aquecimento no segmento habitacional, segundo a Caixa Econômica Federal. Um dos termômetros do banco para antecipar tendências é o acesso aos registros do simulador de cálculos de financiamento disponível no site. Em agosto último, foram feitas 17,7 milhões de operações de simulação em 4,4 milhões de acessos diferentes, números 5% e 10% maiores do que os registrados em julho, respectivamente.

Do total aplicado este ano pela Caixa, R$ 21,1 bilhões tiveram como fonte de recursos a caderneta de poupança, R$ 20,9 bilhões são do Fundo de Garantia do Tempo de Serviços (FGTS) e o restante de outras fontes.

A modalidade consórcio é uma opção para quem quer comprar uma casa, não tem interesse imediato e quer ter uma poupança para isso, segundo Maria Fernanda. “A tendência é manter e até expandir”, disse ela, ressaltando que o consórcio permite a quem já tem um imóvel financiado pela Caixa a se habilitar para adquirir outro.

“A Caixa tem como meta praticar as menores taxas e tarifas do mercado, menores que todos os bancos do mercado. Todas as pesquisas do Procon apontam isso”, diz Maria Fernanda. Confira a seguir os principais trechos da entrevista.

APJ - Qual a importância e o papel do Estado de São Paulo para a Caixa Econômica Federal?

Maria Fernanda Ramos Coelho - Quando revisamos o modelo de gestão em 2007, definimos que o Brasil é um País de dimensão continental e que precisava trabalhar de forma estratégica em algumas regiões. Não trabalhamos mais o conceito de divisão geográfica, mas a afinidade do ponto de vista social, cultural e econômico das regiões. E o País foi então dividido em cinco regiões. São Paulo sozinho, capital e Interior, é uma região.

APJ - Por que?

Maria Fernanda - Porque o Estado tem características muito específicas, de demanda do crédito pessoa física e de pessoa jurídica, de infraestrutura e de logística, que requerem que a Caixa tenha também uma estratégia muito específica para essa região. O Estado tem uma importância muito grande do ponto de vista da Caixa.

APJ - O que mudou com essa revisão?

Maria Fernanda - Significou um processo de inversão da concentração de investimento que antes acontecia em São Paulo. Parece coisa contraditória, mas não é. Trabalhamos um processo de distribuição nacional, regionalização, descentralização do investimento. Nunca sem considerar a importância do Estado de São Paulo, mas considerando também que precisava de um processo de regionalização do investimento. A Caixa reconhece a dinâmica de São Paulo, a importância do Estado, o fluxo de investimento, mas isso não contraria todo um processo de regionalização da democratização do acesso ao crédito tanto da pessoa jurídica quanto da física. Isso aconteceu com todas as políticas públicas do governo. Tanto que o programa “Minha Casa, Minha Vida” trabalha com déficit habitacional. A distribuição dos recursos para 1 milhão de moradias se deu em função do déficit habitacional em todos os Estados brasileiros.

APJ - A meta é diminuir as desigualdades regionais?

Maria Fernanda - Sim, não adianta nada concentrar recursos numa dada região do País se as outras sofrem com a falta de recursos e vai se manter o fluxo migratório. Antes se considerava natural sair do Nordeste e do Norte e vir para o Centro-Sul. Hoje tem a migração de retorno, as pessoas voltando para as suas regiões em função dos investimentos. 50% do Bolsa Família que é pago pela Caixa está no Nordeste, porque era onde carecia de recursos.

APJ - A Caixa, então, desempenha um papel social?

Maria Fernanda - Eu diria que a Caixa desempenha o seu papel de banco público. É mais do que um papel social. Uma instituição pública tem que estar comprometida com as grandes políticas públicas do governo, com a democratização do acesso ao crédito, com a inclusão bancária, com a inclusão social, age enquanto banco de operação financeira, mas também como operadora dessas políticas. Claro que tem muita coisa a ser feita e revista. A expansão da rede é necessária. A Caixa é instituição pública, parceira do Estado brasileiro, e que opera políticas públicas, não só na área de habitação e saneamento, mas tem o compromisso com a democratização do acesso ao crédito. Em 2003, teve início um grande processo de inclusão bancária. Mais de 7 milhões de cidadãos passaram a ter acesso a uma conta bancária. Passamos por um grande processo interno de estruturação da instituição, contratação de pessoal, revisão do modelo de gestão interna. Quando chegou a crise em 2008, estávamos preparados para dar uma resposta. Se isso tivesse acontecido antes, a nossa capacidade de responder seria bastante inferior.