10 de julho de 2026
Bairros

Garis recolhem 910kg de lixo eleitoral

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

Quase uma tonelada de lixo eleitoral foi recolhida ontem em Bauru das imediações de parte dos 73 locais de votação espalhados pela cidade. Onze equipes formadas por cinco funcionários da Diretoria de Limpeza Pública da Emdurb trabalharam o dia todo na recolha de “santinhos” de candidatos, mas o serviço, que começou pela área central e depois seguiu para os bairros, não terminou e continua hoje.

Até o final do expediente de ontem, os garis haviam recolhido 910 quilos de material como “santinhos” e impressos em geral. A princípio todo o resíduo foi levado para ser reciclado. No entanto, ao ser feita uma inspeção no material, ficou constatado que não seria possível o reaproveitamento, uma vez que os papéis estavam muito sujos e misturados com terra, informa a Emdurb.

Por isso foi necessário levar todo o lixo para o aterro sanitário. Funcionários da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) também trabalharam na limpeza, mas o lixo eleitoral retirado das ruas por eles não havia sido pesado até o final da tarde de ontem, o que deve ocorrer hoje.

Cada grupo de garis da Emdurb, formado por cinco colaboradores, fez a limpeza de aproximadamente três locais. Já a Semma disponibilizou quatro equipes, composta por sete funcionários cada uma, que percorreram pontos diversos da cidade. Usando pás, vassouras e sacos plásticos, os garis tiveram trabalho para recolher os “santinhos” espalhados pelas calçadas, ruas e avenidas.

Os impressos chegaram a invadir praças, ficaram acumulados em bueiros, debaixo de carros estacionados e em garagens e jardins das residências próximas aos colégios eleitorais. Para se ter uma ideia, os funcionários chegaram a recolher de 10 a 20 sacos de lixo de cada colégio de votação.

Por causa da garoa de anteontem, parte dos “santinhos” grudou nas calçadas, dificultando ainda mais o serviço dos garis. Após recolhido em sacos, o lixo foi transportado em caminhões coletores até o aterro sanitário da cidade.

Conforme constatou a reportagem do Jornal da Cidade, em alguns locais de votação, como a Escola Estadual Professor Christino Cabral, o acúmulo de papéis e “santinhos” de candidatos foi tão grande que mal era possível enxergar o chão da calçada. A entrada do colégio ficou completamente forrada de papel, deixando o caminho escorregadio. O cenário resultou em um acidente: uma eleitora chegou a cair no chão e fraturar o tornozelo.

Em outro colégio eleitoral, na escola estadual Dr. Luiz Zuiani, nem o portão de acesso escapou da mira dos candidatos. Adesivos foram colados na entrada e também em portas e paredes no interior da escola. Na maioria das capitais, e algumas cidades da região, como Marília, garis estiveram nas ruas desde domingo para fazer a limpeza do lixo eleitoral. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura de Marília, ontem, grande parte das calçadas e vias já amanheceram limpas.

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Hora extra

Indagado sobre antecipar a limpeza das vias públicas nas imediações dos colégios eleitorais de Bauru, o prefeito Rodrigo Agostinho disse que seria inviável disponibilizar equipes pela cidade no dia da eleição e que no momento Bauru não tem estrutura para realizar este tipo de trabalho aos domingos.

“Não tem jeito de colocar garis nas ruas de limpeza nos domingos. Teria que pagar hora extra e seria inviável para a prefeitura. São muitos locais de votação”, disse o prefeito, que afirmou ser suficiente e eficiente o serviço de limpeza no dia seguinte às eleições.

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Eleitor protesta contra os candidatos ‘sujões’

Há eleitores que reprovam a atitude dos candidatos de espalhar “santinhos” que acabam sendo jogados no chão e aproveitam a ocasião para protestar. “Não concordo com essa sujeira acumulada em dia de eleição. Deixa a cidade com uma aparência feia, atrapalha o trânsito de pessoas pelas ruas”, disse o auxiliar Celso Polidoro Sobrinho, 51 anos, que passava ontem em frente à prefeitura, tomada pela papelada, inclusive em parte de sua praça.

Flávio Salvador, um dos eleitores que votou na escola estadual Dr. Luiz Zuiani, chegou até a caracterizar a situação como depredação do patrimônio público. “A sujeira com a qual me deparei em frente à escola lembra um crime ambiental”, enfatizou.