09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

RESULTADO DAS URNAS E AS PESQUISAS


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Diz o ditado popular que “ninguém morre na véspera”. Após serem divulgados os resultados das urnas, nota-se, inevitavelmente, o sentimento de indignação que tomou conta de grande parte dos eleitores e candidatos, eleitos ou não, notadamente no Estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, em relação às evidentes disparidades existentes entre as intenções de votos divulgadas pelos institutos de pesquisas anteriormente às eleições e o resultado final destas.

Não é de hoje que esta prática nebulosa vem ocorrendo. Mesmo em Bauru, nas eleições municipais de 2000, o candidato eleito para ocupar o cargo de chefe do Poder Executivo local figurava, estranhamente, na terceira colocação nas pesquisas de intenções de votos divulgadas antes das eleições. O mesmo ocorreu em São Paulo, em 2004, quando a candidata petista, que até então liderava as pesquisas com ampla margem de diferença em relação ao segundo colocado, perdeu a eleição para o candidato tucano que se sagrou prefeito de São Paulo.

Inúmeros outros casos semelhantes ocorreram Brasil a fora, mas nenhum tão esdrúxulo quanto esta última eleição para as duas vagas paulistas ao Senado Federal. O primeiro candidato eleito para ocupar uma das vagas, com mais de 30% dos votos válidos, por mais inacreditável que possa parecer, figurava apenas em terceiro lugar nas pesquisas, com apenas 18% das intenções de votos, supostamente. Os outros dois candidatos que pelas pesquisas até já estariam eleitos, mesmo antes das eleições, viram o suposto terceiro colocado, que já estava “morto na véspera” segundo as pesquisas, “ressuscitar” e assumir a primeira vaga paulista ao Senado Federal.

Agora, uma vez divulgados os resultados das urnas, recorre-se às mais diversificadas teses, peculiaridades regionais, metodologias e estatísticas para se tentar justificar o injustificável. Na verdade, é necessário repensar e aprimorar a Lei nº 9.504/97 e a Resolução nº 23.190 do Tribunal Superior Eleitoral que regulamentam as pesquisas de opinião pública relativas às eleições e candidatos, na medida em que atualmente não se mostraram suficientes para coibir e impedir tamanhas disparidades que ficaram muito distantes da margem de erro aceitável.

Para nós, eleitores, independente da posição política que adotamos e do candidato que escolhemos, fica a certeza de que não podemos nos deixar influenciar por pesquisas, até porque, como visto, “ninguém morre na véspera”.

Antonio Tonelli Júnior - eleitor