10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Levantamento do IBGE mostra laranja como nova vedete em Bauru

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

As recentes mudanças na agricultura nacional, com algumas culturas quase desaparecendo em algumas regiões e outras despontando com força, têm descortinado um cenário cada vez mais claro em Bauru: o avanço das plantações de laranja. A última pesquisa denominada Produção Agrícola Municipal (PAM), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2009, mostra que a cultura que ocupa a maior área plantada no município é a laranja, com 2 mil hectares (veja quadro acima) e 32.772 toneladas produzidas. Cada hectare equivale a 10 mil metros quadrados.

Somando a lavoura permanente e a temporária (plantações que podem mudar de um ano para outro), em segundo lugar vêm as plantações de cana-de-açúcar, com 540 hectares de área plantada e 37.883 toneladas de produção na última safra. Em seguida vem o abacaxi, com 520 hectares de área plantada e mais de 6,3 milhões de frutos produzidos.

O “ranking” segue com 193 hectares de plantações de milho, com 502 toneladas de produção do grão; 182 hectares com abacate, cuja produção foi de 2.275 toneladas; café, com 179 alqueires e 99 toneladas do grão; 115 hectares de soja e produção de 280 toneladas; 96 hectares de batata doce e produção de 1.920 toneladas; 26 hectares e 106 toneladas de mandioca; 13 hectares e 280 toneladas de limão; 12 hectares e 210 toneladas de banana; 10 hectares e 121 toneladas de caqui; 4 hectares e 120 toneladas de maracujá e 4 hectares com produção de 40 toneladas de uva.

As plantações de eucalipto também têm avançado muito em Bauru, conforme divulgado anteriormente pelo JC, mas não aparecem na pesquisa do IBGE.

Migração

Luís César Demarchi, engenheiro agrônomo da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) de Bauru, diz que muitas plantações de laranja “migraram” para Bauru em função de doenças que atingiram a cultura em áreas tradicionais como Bebedouro, Itápolis, Taquaritinga e Matão.

Soma-se a isso os preços mais baixos pagos na compra das terras pelos investidores e o avanço da cana em regiões onde antes predominavam as áreas plantadas com citrus.

“As plantações começam em Bauru e vão até Ubirajara, Lucianópolis, Reginópolis, Bariri, Pirajuí, Piratininga, que inclusive têm mais laranja do que Bauru. Nas regiões tradicionais dessa cultura, houve um ataque maior de doenças que atingiram as plantações e o avanço da cana disputando terra e remunerando melhor os produtores. Então, houve uma migração para cá”, observa.

Demarchi ressalta ainda a entrada no mercado das indústrias que também se tornaram produtoras da matéria-prima, como Votorantim, Grupo Fischer (Citrosuco), entre outros.

“Essas empresas têm comprado fazendas e expandido as suas áreas. E muitas fazendas foram adquiridas na nossa região porque a terra é mais barata do que na região tradicional, do lado de cima do (rio) Tietê. Aqui, as terras são cerca de 30% mais baratas, porque é uma região onde a agricultura sempre foi mais fraca”, informa o agrônomo.

Indústrias

Segundo ele, as plantações de cana-de-açúcar se concentram mais próximas de onde estão as unidades industriais. É o caso de Pederneiras, Macatuba, Lençóis Paulista, Santa Cruz do Rio Pardo, Ipaussu, entre outras. “Em Bauru não tem nenhuma indústria. Então é por isso que no município a cana é menos expressiva.”

No caso da laranja, a maior parte da produção em Bauru é direcionada à indústria, ou seja, pouco fica para abastecer o mercado interno. O abacate também é exportado, assim como o café. Os demais produtos da lavoura permanente são destinados ao mercado interno.

“Com a baixa rentabilidade da pecuária, não tem como competir com outras lavouras. Em Bauru, nos últimos anos a pastagem perdeu terras para eucalipto e laranja. Em outros municípios, perdeu também para a cana”, acrescenta Demarchi.

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A pesquisa

De acordo com Alfredo Guedes, analista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os dados para a pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM) não são coletados diretamente no local, junto aos produtores.

“O IBGE tem as agências que são responsáveis por determinados municípios e existe uma comissão municipal para o levantamento desses dados. São feitas reuniões entre um representante do instituto e pessoas que conhecem a agricultura do município, como funcionários de órgãos como Secretaria de Agricultura, Casa da Agricultura etc. Então, nós buscamos informações junto aos órgãos específicos”, diz.

Segundo ele, a pesquisa foi feita em 5.565 municípios brasileiros. No País, a cultura que tem a maior área plantada é o café, com 2.211.633 hectares. A produção da safra de 2009 chegou a 2.440.056 toneladas do grão, segundo o IBGE. Em segundo lugar em tamanho da plantação ficou a laranja, com 802.528 hectares e 17.618.450 toneladas da fruta.