O crescimento econômico brasileiro em 2010 será acima de 7%, o que pode ser considerado um bom desempenho. O que não está clara é a maneira com que os desafios a curto prazo serão enfrentados. Durante o embate sucessório, os temas mais relevantes não são discutidos, dando margem às especulações.
Um setor preocupante é o externo. Aqui o governo federal está em uma encruzilhada. De um lado sabe que o Real tem que se desvalorizar diante do Dólar, auxiliando a fechar as contas externas, hoje amargando um déficit preocupante em transações correntes, de outro lado, se houver uma elevação muito rápida na cotação do dólar, gera uma preocupação adicional com a denominada inflação importada. Há que se encontrar a dose certa deste remédio, e logo.
Isso tudo sem contar a forte inquietação quanto ao futuro das contas públicas, à medida que o atual governo elevou demasiadamente os gastos em custeio, gerando menor superávit primário e como ele pouca folga para conter a elevação da dívida interna.
Há ainda a discussão do modelo econômico a ser adotado pelo país e dúvidas quanto à forma de gestão tanto da candidata da situação como o candidato da oposição. Se de um lado pode-se apostar no crescimento econômico expressivo para 2010, o mesmo não é verdade em 2011. E é neste cenário que as empresas estão planejando seus investimentos, novas contratações e até mesmo a busca de novos mercados. Quem sabe após 31 de outubro a equipe econômica saia do muro e, desta forma, seja possível ter um olhar mais firme sobre o que será feito até o final de ano.
Preocupações de longo prazo existem e há conhecimento dos desafios a serem enfrentados, tais como a eliminação dos gargalos na infraestrutura e a retomada dos investimentos públicos. Contudo, é preciso uma sinalização mais firme do que será feito nos próximos meses.
Para enfrentar os desafios a curto prazo a atual econômica tem que mostrar serviço e ser capaz de efetuar as melhores escolhas, privilegiando o lado real da economia e não o lado monetário, que tem sido a tônica nesses últimos anos.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista e articulista do JC