09 de julho de 2026
Política

Convênio para Panela ganha força

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Representantes do Bauru Basket, do Esporte Clube Noroeste, vereadores e o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) se reuniram na tarde de ontem para discutir o problema da falta de ginásio para jogos profissionais de basquete na cidade. Diante de dificuldades em fazer convênio com pagamento de aluguel, diretamente entre a prefeitura e o Noroeste, ou mesmo desapropriar a Panela de Pressão, foi discutida comoalternativa uma parceria através do Bauru Basket para a utilização do ginásio.

O secretário municipal de Esportes e Lazer (Semel), José Carlos Batata, não compareceu. Ele afirmou ao JC que não tinha sido convidado para a reunião, convocada por vereadores. Com a conclusão da venda da sede social da Associação Luso Brasileira, o time bauruense ficará sem ter onde mandar seus jogos a partir do ano que vem. No encontro, a possível desapropriação da Panela de Pressão perdeu espaço.

Na reunião, a proposta de incorporar o ginásio pertencente ao Noroeste ao patrimônio municipal não avançou, sendo considerada pelos integrantes do clube como medida extrema, embora não tenha sido descartada pelo governo. O aluguel do ginásio pela prefeitura e sua reforma, além da assinatura de um convênio para repasse de verbas através da entidade ligada ao time de basquete, que pagaria diretamente o Noroeste pelo uso da Panela, também foi discutido.

Uma reunião entre os departamentos jurídicos da prefeitura e do clube foi marcada para avaliar as possibilidades dessa saída na próxima terça-feira. Para o prefeito, a desapropriação, que foi defendida pelo secretário, não foi descartada. Mas também foi considerada a saída menos adequada.

Rodrigo lembrou que um processo de desapropriação dificilmente seria amigável e provavelmente cairia em disputa judicial, o que atrasaria ainda mais a solução para o problema. O vereador Fernando Mantovani (PSDB) se posicionou contra a medida.

Rodrigo lembrou que a solução mais adequada seria a prefeitura alugar a Panela de Pressão, projeto anunciado já no ano passado, mas que está suspenso. “Quando fomos formalizar o aluguel, caímos em impedimentos jurídicos”, observa. A notícia da possível desapropriação não foi bem digerida pelo Noroeste e nem recebeu apoio do Bauru Basket. Joaquim Figueiredo, representante da equipe. Ele enfatizou que essa proposta não partiu do Itabom/Bauru.

De acordo com Evaldo Armani, assessor de marketing do Noroeste que representou o clube na reunião, foi destacada uma equipe jurídica só para cuidar do levantamento de documentação necessária para firmar a possível parceria.

Ele conta que o processo foi demorado por conta da quantidade de documentação envolvida e da avaliação da dívida que o clube teria com a prefeitura, que envolve contas desde a época que empresas da rede ferroviária administravam o Noroeste. Evaldo afirmou que chegou a ser calculado o valor do aluguel que seria cobrado da prefeitura. “Pensamos em R$ 7,5 mil, para uma área de 2,3 mil metros quadrados”, observa.

O assessor ainda afirma que, nesse meio tempo, o Noroeste recebeu proposta de alugar o espaço para igrejas, o que aumentaria a receita do clube. “Mas o Damião Garcia, achou que o aluguel seria bom para a prefeitura e para o clube”, afirma. “O projeto não ficou parado nesse tempo. Mas o processo é lento e demandou muito tempo. Nós queremos ajudar, mas não podemos sair prejudicados”, ressalta Armani.

O prefeito aposta ainda na solução para o impasse sobre o aluguel da Panela. Para avançar no assunto, os departamentos jurídicos do clube e da prefeitura se reunirão no dia 26. Em seguida, o prefeito irá chamar novo encontro com os envolvidos.

Sobre um possível convênio, Rodrigo avalia que é uma saída difícil. “A transferência de verbas municipais para entes privados é muito difícil. Mesmo sendo entidades sem fins lucrativos”, observa. Ele citou como exemplo a administração de Nilson Costa, quando José Roberto Franco, o Sapé, fez convênios com clubes da cidade para financiar algumas modalidades e até hoje existem pendências jurídicas a respeito.

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Ginásio municipal

Ao final, o vereador Fabiano Mariano (PDT) resumiu o problema. “Se Bauru tivesse um ginásio municipal, nós não teríamos essa reunião”. Vítor Jacob, do Bauru Basket, destacou que o momento é oportuno para a prefeitura discutir a construção de um ginásio próprio e lembrou que na maioria das cidades onde os campeonatos estadual e nacional são disputados, as partidas acontecem em ginásios municipais.

Mariano lembrou que o problema sobre a falta de ginásio para o basquete deve ser discutida por toda a sociedade. “E qualquer solução do Executivo, como aluguel, repasses, convênio e desapropriação, terá que passar pela Câmara. Por isso, uma reunião prévia é interessante para que todos fiquem a par da situação”, pontua.

Lembrando da campanha de Bauru para sediar a disputa dos Jogos Abertos do Interior em 2012, o prefeito ressaltou que tem como meta a construção do ginásio até a competição. “Vamos pleitear verbas com a União e Estado para isso”, pontua.