11 de julho de 2026
Geral

Paralisação de anestesistas leva hospitais a remarcar cerca de 100 cirurgias em Bauru

Por Vitor Oshiro | Com Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Durante todo o dia de ontem, hospitais públicos e particulares de Bauru tiveram que remanejar aproximadamente 100 cirurgias eletivas - aquelas que não são de emergência - devido a uma paralisação dos anestesiologistas da cidade. As cirurgias emergenciais e de urgência foram realizadas normalmente.

A suspensão temporária das atividades foi realizada em todo o Estado de São Paulo e teve objetivo reivindicar melhores condições de trabalho à classe.

O secretário regional da Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo, José Barbosa Neto, afirma que a paralisação não continua hoje e “foi apenas uma advertência para mostrar aos gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) e às operadoras a insatisfação dos médicos anestesistas”.

Segundo ele, cerca de 40 anestesiologistas de Bauru participaram da paralisação e, entre as reivindicações, está a defasagem de mais de 10 anos na tabela das remunerações da classe. O médico exemplifica que, enquanto um anestesista ganha atualmente R$ 61,00 para trabalhar em uma cesariana pelo SUS, a mesma operação por um plano médico garante aproximadamente R$ 300,00 de remuneração ao profissional.

Ainda de acordo com Neto, a paralisação foi feita também no sistema particular pois, em algumas cidades, o que não é o caso de Bauru, as operadoras não respeitam sequer a tabela do SUS e remuneram com valores ainda menores. De acordo com ele, em todo o Estado mais de 2500 profissionais aderiram à paralisação.

Outro problema apontado é a consulta pré-operatória pela qual os pacientes, segundo o secretário regional, precisam passar. “As operadoras e o SUS não estão querendo pagar esta consulta”.

A reportagem consultou alguns hospitais da cidade e verificou que os anestesistas realmente aderiram à paralisação, porém, não houve grandes consequências. No Hospital de Base, oito cirurgias precisaram ser remarcadas. Já na Maternidade Santa Isabel, foram quatro operações eletivas que tiveram a data alterada.

O Centrinho-USP havia sido avisado com antecedência da paralisação e, assim, não programou cirurgias para hoje. O Hospital Beneficência Portuguesa confirmou que algumas cirurgias eletivas precisaram ser remanejadas, porém, os anestesistas mantiveram plantão para operações emergenciais.

Já no sistema particular de saúde, o hospital da Unimed também sofreu com as paralisações. A assessoria de comunicação confirmou que algumas cirurgias eletivas realmente foram remarcadas, porém, não divulgou os números.

Por somente realizar microcirurgias sem anestesistas, o Pronto-Socorro Central não foi afetado. A Secretária de Saúde de São Paulo afirmou que o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) também não teve qualquer alteração nas cirurgias. O mesmo ocorreu com o Hospital Estadual de Bauru.