09 de julho de 2026
Polícia

Obra sofre mais de 10 furtos em 1 mês

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

A construção de uma clínica dentária no Jardim América em Bauru, região Sul da cidade, está totalmente atrasada. Muitos podem pensar que os responsáveis pelo atraso seriam as chuvas ou algum problema estrutural das obras, mas não é o que ocorre. Por incrível que pareça, a culpa é da criminalidade, que enxerga no terreno um local fácil para praticar furtos.

Segundo o engenheiro responsável, Gilson Longhini, a obra, localizada no cruzamento entre as ruas Aviador Antônio Gomes Meireles e Carlos Del Plete, começou há cerca de um mês e, durante esse curto período, o local onde ficavam guardados materiais como cimento e os equipamentos de pedreiros foi arrombado 10 vezes. Já em outras três oportunidades, os fios de cobre de ligação foram furtados.

O engenheiro avalia que o prejuízo ao dono da construção já chegou a R$ 3 mil e a previsão de entrega deve ser adiada em aproximadamente um mês por conta dos furtos em sequência.

Na madrugada de ontem, aconteceu o crime mais recente. Além de levar os fios de cobre, foi furtada também a caixa de medição instalada no dia anterior pela CPFL Paulista.

“Não consigo trabalhar. Preciso de energia para ligar os equipamentos e dar continuidade à obra. Desse jeito está difícil. Agora será preciso instalar novamente os fios, pedir para religar a energia e isso leva tempo”, explica o engenheiro.

Além do problema da energia elétrica, há outro entrave ao seguimento das obras. Por conta dos inúmeros arrombamentos do local onde ficavam os equipamentos dos pedreiros, foi preciso armazenar os objetos na residência de um vizinho, que fica distante cerca de 80 metros da construção.

Com isso, os trabalhadores da obra precisam se deslocar por esse percurso para pegar materiais como sacos de cimento e equipamentos como enxadas e pás. “Atrapalha bastante. É um trabalho a mais para a gente. Além de ser cansativo, acaba atrasando a obra”, afirma o pedreiro Raimundo Otávio de Oliveira, 44 anos.

O vizinho que cedeu a residência para servir de depósito dos materiais, Élvio do Nascimento, 34 anos, afirma que a região precisa de uma atenção maior do policiamento e que outros locais também são vistos como alvos fáceis pelos criminosos.

“Não é só na obra que eles vêm praticando crimes. Aqui mesmo eles levaram um cano de 3 metros que estava emendado. Não era nem um cano novo, e mesmo assim eles levaram”, conta.

A reportagem esteve no local no fim do expediente e confirmou que os trabalhadores realmente precisam se deslocar por um percurso considerável para guardar as ferramentas na casa do vizinho. Além disso, foi verificado que o antigo depósito estava arrombado e que tanto os fios de cobre quanto o medidor de energia haviam sido levados.

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Problema das drogas

O comandante da 1ª Companhia da Polícia Militar (PM), capitão Paulo César Valentim, afirma que há um crescimento no mercado imobiliário e de construção civil em Bauru e que os criminosos percebem tal fato.

“Ao mesmo tempo em que o crescimento nesses setores é bom para a parte de desenvolvimento na cidade, os criminosos percebem que, muitas vezes, é fácil furtar nesses lugares e acabam agindo”.

Ele acredita que os furtos em construções estejam diretamente ligados ao problema das drogas e, assim, traça o perfil dos suspeitos.

“O furto em uma construção gera um lucro muito pequeno. Quem leva um fio de cobre, possivelmente vai derreter e vender a um ferro velho. Ele consegue uma pequena quantia, o mesmo que ocorre quando furta uma enxada ou uma pá. Esse dinheiro é usado justamente para abastecer o vício, principalmente, o crack”, informa.

Questionado sobre o que o policiamento deve fazer na região sul - onde está a construção alvo dos seguidos furtos - para coibir os crimes, Valentim explica que, além de tentar identificar os suspeitos das ações pontuais, já há uma fiscalização maior na área em relação ao tráfico de entorpecentes e também o frequente uso das bases móveis da PM no local.

O comandante ainda pede a colaboração da população e de órgãos públicos para atuar em conjunto com a polícia na solução do problema.

“As pessoas não podem comprar produtos de furto. Quando um criminoso subtrai uma enxada, por exemplo, não vai usar. Ele pega e vende para alguém. A população não pode alimentar isso. Por outro lado, vamos entrar em contato com o Serviço Social da prefeitura para que atuem na questão também. Não adianta tirarmos o criminoso viciado da rua e ele voltar em seguida. Os setores têm que trabalhar em conjunto”, conclui o capitão.

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PM ressalta a importância de fazer o registro do boletim de ocorrência

Mesmo com a sequência de crimes relatada pelo engenheiro e pedreiros na obra realizada no Jardim América, além do boletim de ocorrência (BO) feito em decorrência do crime de ontem, somente mais um furto foi devidamente registrado na polícia.

O tenente-coronel e comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM-I), Nelson Garcia Filho, afirma que o ideal é registrar sempre as ocorrências, mesmo que resultem em pequenos prejuízos. “Se o criminoso age e não é registrado, ele passa a ver o local como um alvo fácil. E a polícia atua mediante as estatísticas. Precisamos desses registros para atuarmos”, explica.

Garcia ainda aponta que o proprietário também deve tomar algumas medidas de segurança quando inicia uma obra. Segundo ele, pode-se contratar um vigilante para ficar no local ou até mesmo solicitar um apoio mais pontual da PM.

“Se ele for até a base comunitária mais próxima da PM e solicitar que haja uma patrulha no local, certamente a área ficará como cartão de prioridade aos policiais e eles irão fiscalizar com mais atenção. Isso pode e deve ser feito”.

Em relação ao bairro Jardim América, o comandante explica que a PM tem um cuidado específico na área, justamente pelos contrastes apresentados na região. “É um local com poder aquisitivo mais alto e que tem, ao mesmo tempo, locais mais carente próximos, como o Jardim Europa e o Parque das Nações. Então, é uma área bastante visada pelos criminosos e que a polícia deve ficar mais atenta mesmo”, completa.