09 de julho de 2026
Bairros

Ele domina o mundo

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 5 min

Made in China

Frango ou carne, alguns vegetais, macarrão tipo lámen e um molho secreto à base de shoyo. Estes são os ingredientes que garantem o sucesso do famoso yakissoba vendido em um tradicional restaurante do bairro Bela Vista, de propriedade de Alberto Nakayama, 54 anos.

O prato de origem chinesa, que tem destaque especial no cardápio do estabelecimento, gera, em média, 200 pedidos por noite, custa a partir de R$ 14,00 e serve muito bem duas pessoas. Mas nem sempre foi assim. Quando Alberto e a esposa abriram o restaurante, há 14 anos, o yakissoba nem fazia parte do menu.

“Por ser à base de macarrão, achávamos que era um prato muito simples e que não teria saída. Mas, com o tempo, os clientes começaram a pedir e descobrimos que o segredo do sucesso é justamente a simplicidade”, avalia.

Além disso, a capacidade de ser versátil soma pontos a favor da iguaria. Ele revela que a receita consiste em cozinhar o macarrão por aproximadamente três minutos, deixá-lo esfriar um pouco e, em seguida, fritá-lo. Depois é só acrescentar os legumes e o molho.

“O yakissoba pode ser feito do jeito que a pessoa quiser: misturando carne e frango, sem vegetais, com menos molho... Pra falar a verdade, existe até quem peça para tirar o macarrão”, conta, rindo. E logo acrescenta: “Que graça tem, né? Yakissoba só é yakissoba com macarrão. Sem ele, não faz sentido”, conclui.

Em larga escala

Alguns galpões, dezenas de máquinas equipadas com tecnologia de ponta, centenas de funcionários especialmente treinados e que, religiosamente, usam toucas e roupas brancas com manga longa, além de uma infinidade de sacos de farinha. Esta é a parafernália fundamental para que a Mezzani, fábrica localizada no Distrito Industrial de Bauru, produza, mensalmente, 600 mil quilos de massa por mês.

“Boa parte do macarrão consumido no interior do Estado de São Paulo é produzida aqui na fábrica. Por mês são 62.500 quilos, o que corresponde a 10,5% do total da produção da empresa”, quantifica Carlos Sette, diretor executivo da empresa que também exporta para vários estados do País.

Embora a fábrica tenha acompanhado os avanços tecnológicos e de mercado, e apostado suas fichas no segmento de massas frescas recheadas, a produção de macarrão oriental, que deu início à empresa, ainda é o setor que desperta a paixão e o zelo dos diretores e funcionários.

Gérson de Oliveira Lopes, gerente de produção da empresa, conta que, desde quando começou a trabalhar na fábrica, há 22 anos, muita coisa mudou, exceto a forma como o macarrão oriental é produzido.

“É um processo artesanal, feito com a mesma fórmula e com a mesma receita de 64 anos atrás. Este setor tem um valor sentimental muito grande para a história da empresa e por isso esta preservação. Já tentamos implantar equipamentos mais modernos, porém a diretoria prefere manter a tradição e a qualidade”, explica Gérson.

Quem visita a fábrica fica impressionado com o volume de massas, já que a produção funciona 24 horas por dia. “É assim mesmo. Brasileiro ama macarrão. Pode produzir porque consumidores não faltam”, justifica o gerente.

Sabor família

“Ah... eu confesso: é verdade. Para mim, domingo só tem cara de domingo quando a mesa do almoço é composta por uma suculenta macarronada, acompanhada de um belo frango assado, e quando ambos são devorados em companhia de toda a minha família”, entrega Clélia Maria Paixão, 43 anos.

O hábito, segundo ela, teve início ainda na infância, quando, para o delírio de toda a família, sua mãe estabeleceu o macarrão como sendo o prato oficial dos domingos. O tempo passou, Clélia casou-se, teve filhos, mas não abandonou o costume. E, para garantir que não será possível enjoar do alimento, ela desenvolveu uma tática especial: sempre varia o molho.

“O meu predileto é o de carne moída e bastante queijo, mas também faço com presunto, manteiga, molho branco... é só deixar a criatividade rolar”, ensina ela.

Além do fato de ser saboroso, Clélia aponta a facilidade no preparo como um dos grandes atrativos do alimento. “Já se foi o tempo em que as mulheres passavam o domingo na cozinha preparando o almoço. Acredito que hoje isso mudou e, por ser prático e rápido, o macarrão se consolidou como o melhor prato para os domingos”, opina Clélia.

Una bella pasta

Macarrão com molho de aliche e farinha de rosca, pistache e cenoura e até mesmo mel e avelã. Na cantina de Lisa Christina Neme Battistutta, qualquer combinação é possível, o que não pode, é claro, é faltar macarrão.

Descendente de libaneses, foi por um homem com sangue italiano nas veias que Lisa se apaixonou. Como consequência - e sem o mínimo esforço, diga-se de passagem -, ela se converteu à gastronomia típica do país da bota.

Depois de casada, morou na Itália por sete anos. E, quando retornou a Bauru, considerou um desperdício restringir o sabor de ‘una bella pasta’ artesanal italiana aos metros quadrados da cozinha de sua casa. Foi quando ela, em parceria com o marido e o cunhado, decidiu abrir uma cantina.

“Acredito que a produção artesanal do macarrão é a base do sucesso do restaurante. A receita, para falar a verdade, não tem segredo: os ingredientes são apenas farinha de semolina e água. A massa fica bem fina e amarelada, tem fácil digestão e pode ser consumida por qualquer pessoa, mesmo quem tem problemas de colesterol e diabetes”, explica Lisa.

O sabor diferenciado do macarrão aliado às paredes rústicas e à decoração peculiar do espaço resulta na venda de cerca de 60 pratos por noite, sendo que, cada um, custa, em média, R$ 24,00.

“Não tem quem não goste de macarrão. Quando as pessoas provam da massa artesanal e dos molhos diferenciados ficam mais apaixonadas ainda. É impossível resistir”, garante Lisa.