Garça – Uma fatalidade bastante incomum atingiu uma família de Garça (70 quilômetros de Bauru). Após ir se deitar em aparente estado de saúde perfeito, um garoto de apenas 11 anos morreu durante a noite do último sábado. Depois do socorro sem êxito, foi constatado que a causa mais provável da morte é a de que a vítima tenha se engasgado com uma goma de mascar.
A tragédia aconteceu na rua Martim Afonso de Souza, no bairro Vila Araceli, por volta das 23h, logo após o jantar da família. Segundo familiares, Caio Henrique Alves Paes, 11 anos, havia acabado de comer e foi se deitar em seu quarto.
O Corpo de Bombeiros de Garça, responsável por prestar os primeiros socorros, informou que os pais do garoto, Joaquim Lima Paes e Lucinéia Alves Paes, contaram que estranharam o fato de Caio estar muito quieto em seu quarto.
Assim, cerca de uma hora após ele ter se deitado, os pais foram verificar e, segundo os bombeiros, perceberam que ele já estava desacordado e inconsciente.
Após acionados, os oficiais do Corpo de Bombeiros da cidade se dirigiram até a residência da família e encontraram o garoto com um quadro de parada cardiorrespiratória. Eles tentaram reanimá-lo, porém, não obtiveram êxito nas manobras de salvamento.
Caio ainda foi levado ao Pronto-Socorro da Santa Casa de Misericórdia do Hospital São Lucas, onde os profissionais ainda continuaram tentando reanimá-lo. Mas, o garoto, que já estava sem sinais vitais em sua residência, não resistiu e acabou morrendo.
Exatamente durante uma dessas manobras para tentar salvar Caio no hospital é que a goma de mascar foi encontrada. O diretor clínico da instituição, Marcos Lopes Miranda, conta que, no processo de entubação, o médico plantonista encontrou o objeto.
“Havia um corpo estranho, que era um chiclete, nas vias respiratórias do menino. O objeto estava na glote, que é a divisão entre a traqueia e o esôfago”, informa.
Entretanto, o diretor alerta que é necessário esperar o laudo oficial para constatar realmente se a goma de mascar foi o que motivou a morte do garoto. “É preciso aguardar o resultado do laudo necroscópico para confirmar se o chiclete foi o que realmente causou o óbito. Enquanto esse laudo não sai, tudo é especulação. É possível ter indícios e uma ideia do que ocorreu, porém, não podemos afirmar nada com absoluta certeza”, conclui.
Apesar de não haver confirmação que a causa da morte foi asfixia por engasgamento, o Corpo de Bombeiros afirma que os primeiros socorros são fundamentais nesses casos e devem ser feitos de maneira correta para não agravar a situação.
Entretanto, é importante que as manobras de primeiros socorros sejam feitas enquanto não for possível o atendimento profissional e que, principalmente, não atrasem o acionamento do socorro especializado. Assim, o mais importante é sempre ligar para serviços de emergência como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) - que atende no 192 -, os bombeiros - no 193 -, ou procurar o pronto-socorro mais próximo.
Goma de mascar
De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, além de aguardar o laudo com a confirmação da causa da morte, é necessário analisar ainda a procedência da goma de mascar. Segundo ele, antigamente, o produto utilizado não era de qualidade e frequentemente grudava nas vias respiratórias.
“Cerca de 40 ou 50 anos atrás, os chicletes eram mais duros. Eles eram feitos de um outro material. Hoje, as empresas já têm esse cuidado, justamente para que, caso o produto seja engolido, não cause esse tipo de problema”, explica. Ele alerta que, caso comprovada a morte do garoto, é preciso analisar se a goma de mascar foi feita com material de qualidade e se o produto também não possibilitou a tragédia.