09 de julho de 2026
Regional

Unesp ouve alunos e funcionários envolvidos com ‘Rodeio das Gordas’


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Assis - A Universidade Estadual Paulista (Unesp) ouviu ontem alunos e funcionários sobre uma “competição” organizada por grupo de alunos da universidade chamada de “Rodeio das Gordas”. A agressão ocorreu no InterUnesp 2010, jogos universitários realizados em Araraquara, em outubro.

Os depoimentos são parte do processo disciplinar aberto pela universidade sobre o caso. Uma comissão instaurada no dia 28 de outubro tem 60 dias para apurar responsabilidades pela “competição”. A Unesp não informou quantas pessoas foram ouvidas nem se são os responsáveis pela agressão.

O objetivo do “Rodeio das Gordas” era agarrar alunas, de preferências as obesas, e tentar simular um rodeio -ficando o maior tempo possível sobre a presa. Roberto Negrini, estudante do câmpus de Assis, um dos organizadores do “Rodeio das Gordas” e criador da comunidade do Orkut sobre o tema, diz que a prática era “só uma brincadeira”.

Mais de 50 rapazes de diversos campi teriam participado. Primeiro, o jovem se aproximava da menina, jogando conversa fora - “onde você estuda?”, entre outras perguntas típicas de paquera. Em seguida, começava a agressão. “O rodeio consistia em pegar as garotas mais gordas que circulavam nas festas e agarrá-las como fazem os peões nas arenas”, relata Mayara Curcio, 20 anos, aluna do quarto ano de psicologia, que participa do grupo de 60 estudantes que se mobilizaram contra o bullying.

A Polícia Civil de Araraquara (117 quilômetros de Bauru) também instaurou um inquérito para investigar a “competição”. O inquérito policial também vai investigar a suposta prática chamada pelo Ministério Público de “bundalelê” (abaixar as calças e mostrar as nádegas, conhecido como “bundão” pelos universitários) no mesmo evento. A Promotoria de Justiça vai acompanhar as investigações feitas pela Polícia Civil de Araraquara.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo se manifestou sobre o caso. “Essa agressão não pode ser tratada como um episódio inconsequente. Faz um simulacro do gado na arena de rodeio. Negou-se às alunas seu direito mais precioso: a dignidade da pessoa humana, que é um valor ético do qual não podemos abrir mão, especialmente dentro de uma instituição de ensino, à qual caberia observar esse valor”, disse, em nota, o presidente da seccional São Paulo da Ordem, Luiz Flávio Borges D’Urso.