A soma do total da despesa oficial na campanha na eleição 2010, declarada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos candidatos a deputado federal e estadual por Bauru, incluindo Carlos Octaviani (PP), gera o valor de R$ 2.327.357,48. Em uma conta linear, a divisão desta cifra pelos votos conquistados pelos 19 candidatos, ou seja 456.386 votos, gera um custo para cada candidato por eleitor de R$ 5,10.
O valor reflete a imensa distorção entre o conteúdo oficial das prestações de contas e a realidade histórica das campanhas. Em suma, este resultado indica que cada voto para os candidatos de Bauru custou aproximadamente R$ 5,10 em material de divulgação, publicidade e custeio com pessoal e despesas de locomoção, entre outros.
Cruzando os dados apresentados oficialmente ao TSE como gastos de campanha dos 19 candidatos bauruenses com o total de votos conquistados por cada um é possível apontar quais alcançaram a melhor, digamos, relação custo-benefício entre despesa e voto. Neste patamar, a menor relação de custo oficial declaro entre os candidatos foi de Roque Ferreira (PT), que disputou uma vaga a federal e cuja performance de votos dividida pelas despesas atingiu a cifra de R$ 1,58 gastos por eleitor.
Entre os concorrentes a uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo, a menor correlação foi de Clodoaldo Gazzetta (PV), com R$ 1,88 contabilizados com cada voto.
Por outro lado, alguns candidatos gastaram muito mais para alcançar seus eleitores. O pior resultado foi registrado por Darcy Rodrigues (PDT), que precisou desembolsar R$ 35,47 por cada eleitor conquistado. Entre os candidatos a deputado estadual, o confronto entre custo oficial de campanha e número de votos conquistados atribuiu a Estela Almagro o valor mais elevado, com R$ 15,24/eleitor.
Arrecadação
Nas eleições de 2010, no quesito arrecadação Pedro Tobias (PSDB) foi o candidato que apresentou o maior valor oficial entre os que enfrentaram a disputa por Bauru. Ele também é o único eleito. Com R$ 774.651,23 declarados ao TSE, Tobias foi responsável por cerca de 30% da arrecadação total dos 19 candidatos bauruenses. Vale lembrar que Gazzetta é o primeiro suplente e também pode assumir uma vaga na Assembleia.
Na outra ponta da tabela, José Leme (PTN) exibe o menor fundo de campanha declarado ao TSE. Com o desejo de chegar ao posto de deputado federal, Leme contou com R$ 754,50 para trabalhar no período das eleições, mas informou ao Tribunal que gastou R$ 4,30 a mais do que estava previsto no orçamento oficial.
Por este mesmo referencial, outro destaque fica para o candidato a deputado estadual Primo Mangialardo (PSC). Em sua prestação de contas, Primo informou que investiu R$ 78.681,60 do próprio bolso, 82% do total declarado (R$ 95.255,37), a maior quantia desembolsada por conta por um concorrente de Bauru.
Em sentido oposto, Carlos Octaviani, José Leme e Paulo Sérgio Martins foram os candidatos que menos recorreram a suas próprias carteiras para enfrentar a eleição.
Ou melhor, eles não precisaram colocar as mãos no bolso porque não investiram nenhum centavo próprio, pelo menos segundo a declaração oficial prestada ao TSE.
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Curiosidades
Em sua prestação de contas ao TSE relativa à eleição deste ano, Estela Almagro contou com o apoio de vários políticos de sua legenda e muito próximos à sua ação partidária, entre eles: Aloizio Mercadante, Arlindo Chinaglia, Cândido Vaccarezza, José Genoino e Ricardo Berzoini, todos estes do PT, e Aldo Rebelo (PC do B).
Outro dado da eleição é que R$ 240.531,30 arrecadados pelos candidatos não foram utilizados durante a campanha. A maior parte deste montante que permaneceu em caixa é creditado a Estela Almagro (PT), que tentou uma vaga como deputada estadual e não gastou R$ 195.686,43 do total arrecadado oficialmente.
Este valor seria suficiente para financiar integralmente as campanhas de Clodoaldo Gazzetta (PV), José Leme (PTN), Darcy Rodrigues (PDT), Saulo Carvalho (PSOL), Toninho Garms (PSB) e Roque Ferreira (PT), que somaram 72.758 votos e apresentaram, juntos, R$ 194.470,08 de gastos .
As dobradinhas também trocaram declaração de recursos entre si. Foi o que aconteceu com os candidatos do PV, Clodoaldo Gazzetta e Raul Gonçalves, assim como os concorrentes do PSDB, Carlos Braga e Pedro Tobias.
Até o final da tarde de ontem, constava no site oficial do TSE que os candidatos bauruenses Ricardo Oliveira (PTB), Antônio Carlos Barbosa (PDT), Kláudio Cóffani (PDT) e Irineu dos Santos (PP) haviam entregue a segunda parcial da prestação de contas, não tendo finalizado o procedimento referente às eleições 2010.