Um trabalho multidisciplinar, liderado pela prefeitura, que consiga agregar políticas públicas nas mais diversas áreas - como saúde, educação, lazer e esporte - às ações que já vêm sendo desenvolvidas por outros organismos vinculados à área de infância e juventude. Esta é a iniciativa para solucionar a situação de vulnerabilidade social de crianças e adolescentes de Bauru proposta por vários segmentos da sociedade que participaram, ontem, de reunião promovida pelo Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro Sul. Também apontaram para a necessidade urgente do município construir uma clínica de recuperação de usuários de drogas na cidade.
Representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Sindicato do Comércio Varejista de Bauru (SinComércio), Conselho Tutelar, Comunidade Bom Pastor, coordenação do campus da Universidade de São Paulo (USP), Alcoólicos Anônimos, Fundação Casa e a vereadora Chiara Ranieri, além de membros da sociedade, cobraram da administração municipal uma atuação mais incisiva, que permita ampliar e aglutinar os serviços já prestados na cidade, como medida para reduzir o número de jovens usuários de crack que, muitas vezes, se submetem à prostituição e à marginalidade para sustentar o vício. O problema foi exposto em ampla matéria veiculada pelo JC no último dia 5 de novembro.
“Não dá mais para ficar enxugando chão com a torneira aberta. O consumo de crack se tornou uma questão muito séria e não dá para cada secretaria ou entidade ficar trabalhando voltados apenas para o próprio umbigo. Precisamos de um esforço conjunto para superar essa dificuldade”, pontua secretário do Conseg Centro Sul, Pellegrino Bacci Neto. Ele cobra também uma destinação à Estação Ferroviária e fiscalização permanente nas imediações da Praça Machado de Mello, onde, segundo ele, o consumo de drogas e a prostituição se tornaram um problema crônico para a região.
Com palestra da médica infectologista Maristela Pastore, que também é chefe do Centro de Referência de Moléstias Infecciosas de Bauru, o encontro realizado pelo Conseg contou ainda com a participação de representantes do Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (Caps i), secretarias municipais de Bem-Estar Social (Sebes), de Esportes e Lazer (Semel), de Meio Ambiente (Semma), de Planejamento (Seplan), de Saúde, Secretaria das Administrações Regionais (Sear) e Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Social (Emdurb).
Unidade terapêutica
Além de pedir ação da prefeitura como líder na solução desta realidade, os órgãos e instituições também destacaram a necessidade de instalação de uma unidade terapêutica apropriada para tratar crianças e adolescentes drogadictos. De acordo com a presidente do Conselho Tutelar de Bauru, Roberta Maria Almeida de Oliveira, já que o encaminhamento para a comunidade terapêutica de Votorantim, com a qual a prefeitura mantém convênio, é um processo lento.
“Além deste trâmite demorado, precisamos de uma clínica em Bauru porque a proximidade dos adolescentes com os familiares durante o tratamento é importante no processo de recuperação”, lembra, acrescentando que o trabalho de assistência na maioria das vezes tem de ser estendido às famílias, já que o meio em que esses jovens cresceram também pode ter colaborado para a iniciação nas drogas. “Muitas dessas crianças viveram uma situação de violência dentro de casa, então isso também precisa ser acompanhado. Além disso, o crack gera uma destruição muito grande na família, o que demanda uma orientação psicológica que, quando o usuário está internado em outra cidade, fica mais difícil de acontecer”, pontua.
Embora reconheça a expansão do consumo de crack entre crianças e adolescentes, o prefeito Rodrigo Agostinho avalia que a construção de uma clínica na cidade não ajudaria a resolver o problema. Segundo ele, cerca de 600 jovens identificados como usuários já passaram por atendimento no Caps i, e só não foram encaminhados para Votorantim aqueles que resistiram ao tratamento.
“Nós temos mais de uma dezena de programas que atendem essas crianças em situação de vulnerabilidade e elas têm acesso a tratamento. Só não é encaminhado para internação quem não tem problema com álcool e drogas”, pontua.
O prefeito destaca que a prefeitura investe cerca de 5% do orçamento municipal em assistência social e vem concentrando esforços para melhorar a estrutura dos Centros de Referência da Assistência Social (Cras) e do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e ampliar as ações do Centro de Convivência de Infância e Juventude (CCIJ). “O que falta é a implementação de uma política pública de combate às drogas, e isso não é feito pela prefeitura”, analisa.
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Reunião no Batalhão
Representantes de todos os órgãos e instituições que participaram da reunião promovida ontem pelo Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro Sul participam amanhã de um encontro na sede do 4.º Batalhão da Polícia Militar (PM) de Bauru para debater quais serviços poderão ser oferecidos durante a ação que os policiais realizarão a partir do fim do mês na favela São Manoel, localizada na Vila Falcão. Com o objetivo de combater o tráfico de drogas, a ideia da iniciativa é instalar barracas de campana, num terreno ao lado ou em frente à favela, por seis dias. Junto às barracas dos policiais, montadas 24 horas, estarão as de entidades e órgãos que ofereceriam atividades e serviços aos moradores da localidade.