A maioria dos incêndios provocados em residências pode estar relacionados a curto-circuitos. E eles podem ser evitados se os moradores tiverem cuidado. Segundo orientação do tenente Cláudio Augusto Antunes da Silva, do Corpo de Bombeiros, esse problema é decorrente, muitas vezes, da inadequação da fiação elétrica do imóvel.
“A fiação pode ser muito antiga, por exemplo, e, se não passar por uma manutenção periódica, pode ir se desgastando. Os plásticos que cobrem os fios acabam se desmanchando e aumentando o risco do curto-circuito acontecer”, explica o tenente.
Segundo Cláudio, uma fiação elétrica antiga não protege uma residência, pois pode não dar conta de abastecer o consumo dos equipamentos eletroeletrônicos atuais. “Equipamentos mais modernos, que necessitam de mais energia, podem provocar uma sobrecarga e causar um curto-circuito”, ressalta.
“Ainda mais, se vários deles ficarem ligados ao mesmo tempo, ou por longas horas. Tomadas de extensão, que interligam vários aparelhos, também ultrapassam limites de uma fiação antiga, que não suporta toda essa carga”, alega Cláudio.
Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil, alerta que a carga elétrica deve ser projetada de acordo com o porte da casa e deve ser feita por um profissional capacitado. “Em certas ocasiões, a família quer expandir o imóvel e precisa saber que é importante readequar a fiação e providenciar disjuntores. Emendas nos fios, fios encapados de forma irregular prejudicam toda a rede elétrica da casa e contribuem para causar curto-circuitos”, orientou.
“É preciso se conscientizar que dentro de casa também há perigos. Assim, os moradores necessitam, periodicamente, avaliar a infraestrutura da residência, coisas que passam despercebidas. A manutenção é indispensável para garantir a segurança dos residentes”, recomenda Brito. Segundo ele, os investimentos com a parte elétrica de uma casa representam em torno de 3% do valor total da obra.
Brito alega ainda que o acúmulo de entulhos e materiais em cantos das edificações, como papel, ajuda a potencializar o calor e pode também ocasionar problemas. “Muitas pessoas guardam materiais recicláveis, por exemplo, próximos à fiação elétrica, reforçando as chances de curto-circuito”, diz.
O manuseio de velas também exige atenção. “Não dá para acender uma vela perto de um móvel de madeira, por exemplo. O correto é colocar a vela sobre um prato com água. Já atendemos ocorrências de incêndio provocadas por chamas de velas”, acrescenta Brito.