09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

FILHOS DA DITADURA


| Tempo de leitura: 2 min

Lendo ocasionalmente a ¨ tribuna¨ de domingo (7/11), uma doce nostalgia me invadiu. No texto ¨Política?¨, uma estudante de 16 anos me transportou 31 anos atrás, quando eu tinha meus 16 anos. Não tínhamos voz em jornais, éramos a geração que se denominava "filhos da ditadura", lembro bem que a carreira de Lula despontava como líder sindical e a polícia ainda corria atrás dos militantes e dos inocentes.

Não tínhamos celular, Internet; o máximo de extravagância era conversar com as amigas ao telefone por horas... sem que a conta da Telesp estourasse. Estudávamos em escolas públicas municipais e estaduais e os bons alunos passavam no vestibular logo na primeira fase e nos primeiros lugares. Fazíamos teatro com o Paulo Neves e começávamos a nos interessar pelo mundo artístico, pela literatura, pela política, pela vida!

Tínhamos opinião, mas expúnhamos quase em segredo entre nós, ou dizíamos só pra impressionar algum adulto. Os amigos que exigiam mudanças, às vezes, eram maçantes; e muitas vezes eu ficava crítica como eles... Gostava das baladas do Chico, Caetano, Vandré e lamentava seus exílios voluntários ou não. Sabia das arbitrariedades dos militares e do silêncio dos governos de transição. Éramos inocentes criaturas? Nem tanto! O namoro extravagante ainda fazia a menina engravidar, aí ela se casava, e era quase certo que o casamento durasse 20 anos ou mais....

PV e o Greenpeace eram bandeiras de esperança para a preservação da Terra; agora as crianças do Ensino Fundamental aprendem literalmente como economizar as riquezas naturais e tentam até combater os gastos no orçamento da família.

Como disse minha prima mais velha outro dia: "Os mais velhos da família agora somos nós!". Continuo me achando uma menina, uma criança e sem qualquer intenção de criar polêmica, continuo não gostando de discutir política, religião e futebol. Parabéns, Ana Carolina, e obrigada pelo que você escreveu, é comovedor acreditar que ainda se pode melhorar o mundo! Eu acredito e as crianças de hoje também!

Ana Maria Barbosa Machado - Academia Bauruense de Letras