09 de julho de 2026
Internacional

G20 reúne-se em clima de guerra cambial


| Tempo de leitura: 2 min

Seul - As políticas cambiais e de comércio exterior das maiores potenciais econômicas mundiais estarão no centro dos debates da cúpula de dois dias do G20, que começa hoje em Seul, na Coreia do Sul.

Participam do encontro na capital sul-coreana os principais líderes mundiais, entre eles os presidentes Barack Obama e Nicolas Sarkozy, a premiê Angela Merkel e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. A presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, também está em Seul.

Nas conversações prévias, conduzidas por negociadores das 20 maiores economias do mundo, não se chegou a um consenso para resolver a chamada guerra cambial.

Obama faz pedido

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, procurou mudar o foco do G20 para os desequilíbrios globais e tirar de evidência as políticas de seu país, enquanto líderes globais se reuniam em Seul ontem.

Obama, que enfrenta críticas à política norte-americana de estímulos monetários ao chegar para a cúpula de dois dias do G20, disse que uma economia forte dos EUA é vital para a recuperação mundial, e pediu que os colegas do grupo deixem de lado as diferenças e façam sua parte para incentivar o crescimento econômico.

“Quando todas as nações fazem sua parte... nós todos nos beneficiamos do crescimento mais alto”, disse Obama em carta enviada aos líderes do G20 anteontem. Uma cópia da carta foi obtida pela Reuters ontem.

Críticos dizem que a política do Federal Reserve enfraquece o dólar em detrimento a outras nações, mas Obama afirmou que a força do dólar depende da força da economia norte-americana.

Na carta, Obama buscou retornar a discussão aos desequilíbrios globais e insistiu quue os EUA não são o único país que precisa mudar suas maneiras para conduzir uma recuperação estável e forte.

“Assim como os Estados Unidos precisam mudar, também precisam aquelas economias que dependeram anteriormente de exportações para ofuscar a fraqueza de sua própria demanda”, disse Obama, em referência indireta à China.

Geithner espera apoio

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, chegou a Seul ontem com planos de amenizar as tensões entre autoridades do Grupo dos 20, e disse estar otimista de que os chefes de estado conseguirão chegar a um acordo para limitar desequilíbrios no comércio internacional.

Geithner falou com jornalistas no avião durante a viagem à Coreia do Sul e afirmou que a retórica e as brigas públicas ocultaram um consenso básico a que o grupo chegou, de que os desequilíbrios excessivos no comércio devem ser limitados e que desvalorizações de moeda competitivas devem ser evitadas.

“Estamos otimistas de que os líderes apoiarão, em grande parte, uma estrutura cooperativa para fortalecer o crescimento global. Há muita promessa nisso, especialmente na ênfase sobre a sustentabilidade externa (do crescimento). Diretrizes indicativas serão um alerta importante para vermos os riscos antecipadamente e podermos evitar outra crise financeira como a que acabamos de ter”.