11 de julho de 2026
Geral

Muro de tapume ainda causa transtornos na Emei Maria Elizabete de Pádua Galesso

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

A antiga situação de risco para os alunos que brincam ao lado do muro improvisado de tapume da escola municipal de ensino infantil (Emei) Maria Elizabet Cammilo de Pádua, localizada no núcleo Índia Vanuíre, ainda se arrasta. O problema vem se tornando cada vez mais grave já que o tanque de areia, que hoje já não pode mais ser usado pelos pequenos por motivos de segurança, transformou-se em um local frequentado por usuários de drogas que não se contentam, adentram à escola e depredam o local.

Revoltados com a situação que se arrasta desde o ano passado, quando uma forte chuva derrubou grande parte do muro de concreto que separava a escola de um loteamento de casas, os pais dos alunos e a diretora da escola, Tereza Lopes Ricci, cobram uma ação da Prefeitura Municipal. Eles reivindicam uma posição definitiva da secretária de Educação Vera Caserio, que no dia 5 de fevereiro deste ano informou em entrevista ao Jornal da Cidade que o muro de concreto começaria a ser construído antes do Carnaval.

“Ela disse isso, mandou colocar esses tapumes com pregos que estão enferrujados e soltando. Eu gostaria de saber qual é o Carnaval que ela está se referindo, já que até agora nada mudou e nossos filhos estão correndo risco com essa falta de segurança”, reivindicou Paulo Roberto Ramos, que é pai de um aluno de 4 anos.

Não bastasse isso, Paulo ainda se revolta ao mostrar para a equipe de reportagem do JC a situação atual de onde ficavam os muros. Seringueiras estão com as raízes à mostra e os tapumes já ameaçam desabar. Isolado, lá está o antigo tanque de areia onde as crianças costumavam brincar. “Esse tanque de areia virou local onde a população vem para usar drogas e praticar sexo. Nós já encontramos de tudo aqui, desde roupas íntimas até preservativos e latinhas perfuradas usadas por essas pessoas para o consumo do crack”.

As mães Denise Silvério, Fabiana de Moraes e Juliana Alves Gomes zelam pela conservação do local. “Eu estudei nessa escola, que tem 21 anos de existência. Hoje eu tenho um filho autista de 4 anos que estuda aqui no período da tarde. Como às vezes ele fica percorrendo o espaço da escola, eu tenho medo de que ele encoste no tapume e este caia sobre ele, apesar do olhar redobrado dos professores. Nós gostamos muito da escola, que possui ótimos profissionais e que educam e cuidam muito bem dos nossos filhos”.

Invasão

Com um triste semblante, a diretora Tereza Lopes Ricci, que trabalha na Emei há 19 anos, mostra as ações dos que ela considera vândalos. “Eles destruíram as telas de proteção da casinha, quebraram também as telhas e tiraram todos os cadeados do nosso armário de brinquedos. Esse muro tem que ser construído logo, mas eu não quero que tire as seringueiras”, afirmou.

Denise contesta que os vigias também foram retirados do local, que agora possui um sistema de segurança somente no prédio. “Na área livre das crianças não possui alarme, então, os vândalos entram e fazem o que querem lá. Daqui a alguns dias eles começarão a invadir a parte de dentro da escola, roubar os videocassetes, aparelhos de DVD”.

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Alambrado X muro de concreto

A resposta de três ofícios enviados pela diretora Tereza Lopes Ricci à Secretaria Municipal de Educação foi a de que, até resolver a substituição do muro improvisado por um de concreto, outra medida paliativa será tomada: os tapumes darão lugar a alambrados, o que os pais e a própria diretora não querem. “Eles virão aqui, colocarão alambrado e não resolverá o problema porque quem invade a escola cortará esses arames facilmente”, salientou Tereza.

A secretária municipal de Educação, Vera Caserio, não quis falar por telefone com a equipe de reportagem do JC, mas informou em nota, por meio da assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal, que como a diretora Tereza recusou o alambrado de início e as seringueiras atrapalham a construção do muro, a prefeitura teve que licitar a contratação de uma empresa especializada na contenção das raízes dessa árvore, uma vez que a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) não possui o maquinário necessário para isso.

A assessoria de imprensa informou, ainda na mesma nota, que como a unidade necessita de algumas melhorias em seu espaço físico e, aproveitando as futuras obras, a Secretaria de Educação estará realizando, no mesmo período, todas as adequações necessárias. O muro de arrimo construído na escola também teve seu alicerce comprometido em consequência das raízes da árvore.

O prazo de início da obra não foi informado, entretanto, a licitação será realizada no início do próximo ano. A Secretaria Municipal de Educação determinou em nota que colocará o alambrado no entorno da escola mesmo contra a vontade da direção da unidade.

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‘Restos’ do muro ameaçam duas casas

O problema ainda não terminou, já que o que sobrou dos muros está visivelmente sem apoio e ameaça cair na residência de dois vizinhos que foram construídas em um loteamento que fica nos fundos da Escola Mmunicipal de Ensino Infantil (Emei) Maria Elizabet Cammilo de Pádua.

O morador Eduardo Francisco Gomes conta que alguns funcionários da Secretaria Municipal de Obras atenderam à sua solicitação feita junto à unidade do Poupatempo de Bauru sobre a situação e foram até o local. “Isso faz mais ou menos duas semanas. Eles vieram aqui, escoraram o muro com uma viga de madeira, amarraram com um arame, prometeram voltar, mas não voltaram”, relatou.

Eduardo, que possui três filhos pequenos, teme pela segurança da família. “Eu tenho medo de que esse muro caia de repente com a próxima chuva. Eles têm que construir outro muro logo e resolver esse impasse”, defendeu.

O secretário de Obras, Eliseu Areco Neto, foi procurado pela equipe de reportagem do JC, mas afirmou desconhecer o assunto. Pediu então que fosse procurado o engenheiro Valdomiro Fantin, responsável por algumas obras da secretaria. Ele afirmou que também desconhece o assunto e disse ainda que a responsabilidade da obra seria do setor de construção, onde não se encontrava ninguém às 17h de ontem.

O engenheiro disse que não tinha nenhum contato desses responsáveis, que também não tiveram seus nomes revelados. Portanto, eles não puderam ser procurados.