08 de julho de 2026
Rural

Campanha quer ampliar uso de algodão


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Apesar da falta de produto no mercado brasileiro, situação avaliada como um evento pontual, os produtores de algodão querem ampliar o consumo da fibra no País. De acordo com o presidente do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) e da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Haroldo Cunha, há cinco anos, o algodão representava 55% ou mais do consumo da indústria têxtil brasileira, na comparação com outras fibras. “Hoje está mais para 50% ou menos”, comparou.

A competição da fibra sintética com o algodão no mundo é ainda mais forte. “O algodão não responde nem a 40% da indústria têxtil mundial”, disse Cunha, que não soube estimar, no entanto, de quanto pode ser o crescimento das vendas.

Por isso, o setor lançará uma campanha no próximo ano para incentivar o uso do produto. Além de um logotipo (que parece a letra “a” estilizada em formas de fios e que também remete ao símbolo @, de ‘arroba’), a marca também estará associada ao IBA e à Abrapa. A ideia é licenciar a marca para uso pela indústria têxtil, de forma a valorizar a matéria-prima natural.

Para o presidente da Abrapa, a intenção de começar uma campanha no próximo ano para incentivar o uso do algodão não é conflitante com o momento de escassez de produto.

Há dois meses, o governo brasileiro liberou a importação de até 250 mil toneladas de algodão sem a cobrança de impostos justamente por conta da conjunção da diminuição da área plantada com o aumento da venda futura para o exterior. “A estratégia não é pontual. As ações começam em 2011 para reverter tendência de queda do consumo do algodão”, explicou.

O presidente do IBA atribuiu a atual escassez do produto no mercado interno a um desdobramento da crise financeira internacional. De acordo com ele, em um primeiro momento o consumo do produto desabou e, consequentemente, a plantação diminuiu.

“No Brasil, a indústria brasileira está consumindo mais e a renda do brasileiro está melhor”, disse. Cunha estima que a indústria consumirá 1,1 milhão de toneladas de algodão em 2011.

A ideia de realizar uma campanha para valorizar o produto, segundo Cunha, não é nova. Os Estados Unidos começaram com a ‘Cotton USA’ e também têm a ‘Cotton Incorporated’, responsável pelo marketing para o consumo de algodão. “Nos Estados Unidos houve reversão do consumo, principalmente na década de 80, apesar do interesse pelo poliéster.”

Aqui, uma pesquisa iniciada em fevereiro de 2009 identificou que o consumidor gosta de um determinado tipo de roupa, mas não sabe o motivo.