10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Gasto para financiar veículo sobe até 70%

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Os brasileiros, principalmente os da nova classe média do País, já pagam até 70% mais em prestações mensais para financiar a compra de seu carro. O valor das parcelas de veículos adquiridos por famílias com renda de três a dez salários mínimos passou de R$ 285,00 mensais em 2003 para R$ 484,00 ao mês em 2009.

É o que mostra levantamento feito a partir de dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no período de 2003 a 2009 pelo instituto Data Popular. Os valores estão deflacionados e atualizados para preços de hoje.

Nas famílias de classes A e B, os gastos mensais com as prestações também subiram: 51% e 65%, respectivamente. “O mais importante é que esse aumento no valor das parcelas não compromete a renda das famílias”, afirma Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo.

“Os reajustes salariais concedidos no período foram expressivos. O ganho real da renda aliado ao aumento do crédito permitiu a ampliação dos gastos, principalmente na classe C, que trocou o carro usado pelo novo”, analisa o economista.

Os dados da associação comercial mostram que a inadimplência do consumidor (pessoa física) tem caído, apesar da entrada de novos consumidores (que estão menos habituados a administrar o crédito) que acabam registrando taxas de inadimplência um pouco superiores, avalia Solimeo.

Preço x inflação

“O consumidor tem de estar atento porque além, da parcela de compra, há gastos com documentos, seguro e manutenção. Computados esses gastos, a parcela mensal passa para R$ 657,50”, diz Renato Meirelles, sócio do Data Popular.

A renda média dos domicílios brasileiros cresceu 49,9% no período de junho de 2003 a agosto deste ano, passando de R$ 1.817,00 para R$ 2.724,04, segundo estudo feito pelo banco Santander. No mesmo período, o preço do carro novo aumentou 12,19% - percentual menor do que demais itens que compõem o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que cresceu 43,85%.

A redução de juros mensais é um dos fatores que mais pesam para que o brasileiro possa adquirir um carro novo, segundo Luiza Rodrigues, autora do estudo.

A taxa média para a linha de crédito “aquisição de bens-veículos” informada pelo Banco Central passou de 3,2% ao mês para 1,8% ao mês - ou seja, quase a metade - no período pesquisado.

“A combinação do aumento de renda, do alongamento nos prazos de financiamento, que passaram de 60 meses (em 2003) para 72 meses (em 2010), e da redução do valor das parcelas de financiamento têm permitido que mais consumidores da classe C passem a comprar veículos no País”, diz a economista.

A partir de dados de renda e orçamento das famílias, o banco fez uma projeção que mostra que 14,2 milhões a mais de domicílios têm condições para conseguir comprar um carro novo, se comparadas as famílias com a mesma possibilidade em 2003.

Para isso foram consideradas famílias sem carro, sem renda comprometida com financiamento e com capacidade de gastar até 30% do rendimento.