O diabetes é uma doença silenciosa que, com o sedentarismo, vem atingindo cada vez mais pessoas. Com o objetivo de aproveitar o Dia Mundial do Diabetes, comemorado amanhã, para educar os portadores da patologia sobre a importância do acompanhamento com profissionais capacitados, a Associação dos Diabéticos de Bauru está promovendo uma série de atividades.
Hoje serão oferecidos 500 testes gratuitos de glicemia no Calçadão (leia mais no texto ao lado). Em parceria com o Jornal da Cidade, luzes azuis - que representam a doença assim como a cor-de-rosa remete ao câncer de mama - foram instaladas e começaram a iluminar a seringueira da Praça Portugal na noite de ontem. Ao longo desta semana também ocorreram outras atividades.
Presidente há quatro anos da associação bauruense, a dentista Rita Kátia Almeida de Oliveira explica que existem três tipos de de diabetes: o tipo 1, que se desenvolve precocemente - até mesmo em bebês - por motivo incerto; o tipo 2, que surge em consequência do estilo de vida que o paciente leva, como uma rotina de má alimentação e sedentarismo; e o diabetes gestacional, que algumas mulheres desenvolvem em período de gestação. “Este último, a mãe pode ficar diabética por toda a vida ou pode se curar logo depois do nascimento do bebê”, afirma.
A doença silenciosa afeta o pâncreas, que para de produzir insulina e, consequentemente, a taxa de açúcar controlada pelo órgão começa a aumentar.
“Geralmente, nos diabéticos do tipo 1 o pâncreas para de funcionar totalmente e eles fazem uso constante de insulina. Já os do tipo 2 tomam medicação oral e às vezes fazem o uso de insulina”, explica Rita.
Os principais sintomas são sede intensa, perda de peso repentina, sentir muita vontade de urinar e cansaço constante. “Como o açúcar, que deveria ser transformado em energia, é lançado pelo corpo todo através do sangue, os vasos começam a ser danificados e perder suas funções se essa taxa de glicose não for controlada. Por isso, se não cuidada, ela (a doença) pode levar à morte”, ressalta.
Perigo
As principais consequências de um diabetes descontrolado são cegueira, nefropatia - que prejudica o funcionamento dos rins -, neuropatia - que atinge os vasos sanguíneos -, problemas periodontais como a inflamação nas gengivas, problemas circulatórios, entre muitos outros.
“Como os vasos sanguíneos perdem sua função, é fácil formar feridas na pele. E se não forem cuidadas elas podem gangrenar e, consequentemente, comprometer esse membro”, salientou a presidente da associação.
O infarto também é muito comum, já que o problema nos vasos sanguíneos pode atingir qualquer órgão, inclusive o coração. A melhor solução para aprender a conviver com a patologia é ter uma alimentação regrada, tomar a medicação conforme orientação médica e realizar exercícios físicos com certa frequência.
“Pode-se dizer que cerca de 20% dos novos usuários que chegam todos os meses na associação são sedentários. Atualmente nós atendemos cerca de 400 portadores da doença”, acrescenta Rita.
O diabético também não pode ingerir muito carboidrato e deve abolir a bebida alcoólica do cardápio. “A bebida alcoólica também é prejudicial porque o álcool aumenta a glicemia”, afirma a presidente da associação. A entidade conta atualmente com uma equipe multidisciplinar de voluntários farmacêuticos, dentistas, médico, assistentes sociais, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, enfermeiros, entre outros.
• Serviço
A Associação dos Diabéticos de Bauru fica na avenida Nações Unidas, 28-40, em Bauru. Quem quiser se associar basta pagar uma taxa mensal de R$ 9,00, que será revertida para ajudar nos custeios da entidade. O horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30. Outras informações ainda podem ser adquiridas através dos telefones (14) 3224-2908 e (14) 3224-2905.
____________________
Tudo azul
Com o objetivo de relacionar o Dia Mundial do Diabetes com a prevenção para a patologia, a Associação dos Diabéticos de Bauru, em parceria com o Jornal da Cidade, iluminou a seringueira da Praça Portugal com luzes azuis. Elas remetem ao símbolo do diabetes, que possui a mesma cor, e ao mesmo tempo simboliza o céu, a bandeira das Nações Unidas e a união entre países.
____________________
Atendimento gratuito
Fazendo parte das atividades de conscientização referentes ao Dia Mundial do Diabetes, a Associação dos Diabéticos de Bauru realiza hoje, a partir das 10h, 500 aferições gratuitas de glicemia para a população que passar pela quadra 4 do Calçadão da Batista.
“A prevenção até agora é a melhor indicação. Porque quando descoberta no início é possível evitar uma série de problemas”, observa a presidente da associação, Rita Kátia Almeida de Oliveira.
____________________
Pâncreas artificial pode ser adquirido na rede pública de saúde pelo SUS
Com apenas 11 anos de idade, Gabriel de Araújo Petraglia, que é diabético desde os 7 anos, faz uso do pâncreas artificial, popularmente conhecido como bomba de insulina. O aparelho, que custa R$ 12 mil, já pode ser adquirido gratuitamente pela rede pública através do Sistema Único de Saúde (SUS).
A mãe dele, Nilva de Araújo Petraglia, farmacêutica que também atua na área de nutrição, afere a glicemia do garoto. Tudo está correto. Mas se está abaixo ou acima do normal, a “bomba” avisa.
“O pâncreas artificial funciona como o próprio órgão. Ele é um aparelho eletrônico ligado ao corpo humano com um catéter que injeta a insulina que fica em seu interior quando necessário”, explica Nilva.
O que poucos sabem é que o diabético pode sofrer também da falta da glicemia. “Como o pâncreas para de funcionar, tanto pode sobrar quanto faltar glicemia. O problema é que a hipoglicemia pode causar sequelas se o socorro não for imediato. No ano passado aconteceu com o Gabriel quando ele estava dormindo, mas conseguimos socorrê-lo a tempo e não aconteceu nada de grave”, conta a mãe.
Ele não se importa. Brinca o tempo todo e mostra o aparelho à equipe de reportagem. “Ele nunca se importou em ser diabético, em ter que ficar furando o dedo para aferir a glicemia. Ele mesmo sabe medir a taxa de açúcar e aplicar a insulina desde o primeiro dia em que descobriu que era diabético”.
O garoto conseguiu o pâncreas artificial depois de fazer a solicitação. “Nós entramos com o pedido e demorou três meses para ser aprovado. Hoje está mais fácil, demora somente um mês para autorizar. Eu ganho tudo, a insulina e os aparelhos”, revela Nilva.