Nenhum outro setor da economia tem crescido tanto e tão rapidamente nos últimos anos quanto a área digital. Novidades surgem a todo instante. Pessoas e empresas vivem numa corrida incessante para se manterem atualizados e antenados com as novas possibilidades . É um ritmo frenético que nem de longe dá mostras de que vai desacelerar. Ao contrário, as perspectivas, mesmo as menos otimistas, indicam que as mudanças tendem a continuar, pelo menos, na mesma velocidade.
Ao mesmo tempo em que esse cenário de constante transformação e evolução é celebrado pelos consumidores de tecnologia, o mercado se vê diante de um sério problema. Não há profissionais na praça com qualificação suficiente para dar conta da necessidade das empresas.
A oferta de profissionais formados em computação é insuficiente para atender à demanda crescente de projetos. Em entrevista recente à Agência Brasil, o professor Fernando de Souza Meirelles, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-Eaesp), disse que o Brasil enfrenta um apagão de mão de obra especializada. “Falta muita gente treinada e capacitada no cenário atual”, disse na entrevista.
Segundo ele, a carência de profissionais abrange todos os níveis e categorias, desde aprendizes até especialistas. Para este ano, Meirelles está projetando um crescimento em torno de 9% para o setor de tecnologia da informação (TI) em 2010.
O “apagão” atinge, inclusive, Bauru. De acordo com Tiago Amôr, gerente de operações da Lecom, empresa de Bauru que trabalha com comunicação digital, a cidade é bem servida de faculdades e escolas técnicas na área de TI. Mesmo assim, o contingente de profissionais qualificados formados por ano não consegue suprir a demanda local.
Segundo o gerente, muitos vão embora da cidade depois de concluir o curso. O destino, normalmente, é a cidade de São Paulo, onde a remuneração e as oportunidades costumam ser maiores.
Como exemplo da dificuldade enfrentada pela empresa em encontrar profissionais, Tiago revela que a Lecom tem vagas em aberto para analistas de sistemas há algum tempo e não consegue preenchê-las. Ele conta que há carência também de programadores e webdesigners.
Além de mostrar a cara na Internet com a criação de sites, muitas empresas estão preocupadas em marcar uma presença mais efetiva no mundo virtual. Com a popularização do twitter, facebook, orkut, blogs, entre outras mídias sociais, fazer parte delas pode passar a imagem ao consumidor de uma empresa atenta ao chamado mundo moderno.
Segundo Graciele Bottan, coordenadora de marketing e negócios da Lecom, no estágio atual da web as empresas passaram a fazer parte do mundo virtual mesmo sem querer. Independentemente da vontade delas, a marca pode receber elogios ou críticas por meio de comentários postados nas mídias sociais. E as empresas precisam saber tirar proveito disso, ou mesmo estar presente para defender sua marca quando atacada.
Outra preocupação bastante atual das empresas é se preparar para oferecer conteúdo para plataformas portáteis, como a TV digital, os notebooks, palms, tablets ou celulares. De acordo com a previsão de especialistas, a mobilidade deve transformar a plataforma portátil na grande sensação dos próximos anos. É mais uma demanda que terá de ser atendida pelo mercado.
____________________
Estudantes são cooptados logo no 1º ano
Para aqueles que pensam em atuar na área, seguem algumas dicas do gerente de operações Tiago Amôr. Segundo ele, é necessário que o profissional tenha “sede de conhecimento”, esteja disposto a aprender sempre, tenha criatividade, seja dinâmico, autodidata e esteja sempre antenado às novidades da área.
São características que o estudante universitário Murilo Tanajura procura aprimorar para aumentar suas chances de sucesso profissional. Mesmo sem estar formado - ele faz design na Universidade Estadual Paulista (Unesp) -, Murilo já trabalha na área de comunicação e publicidade online. Ele conseguiu emprego logo no primeiro ano de faculdade, algo que se tornou comum devido à falta de profissionais formados.
Fascinado por novidades e inovações, Murilo diz que se identificou plenamente com a carreira. Ele conta que quando começou o curso na Unesp não tinha uma ideia muito clara de como estava o mercado, muito menos de como ficaria alguns anos mais tarde.
“Eu não tinha a mínima noção de como esse mercado iria evoluir”, confessa. “Eu apenas achava importante fazer o curso porque era um assunto que tinha interesse em aprender”, revela o estudante, que agora se vê inserido em um contexto em que as empresas disputam um profissional que demonstre as mínimas qualidades exigidas pelo mercado.