11 de julho de 2026
Regional

Turística, Brotas criou o festival da polenta

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Em novembro de 2008, na cidade de Brotas (100 quilômetros de Bauru), as alunas de curso semelhante realizado naquela cidade criaram o Festival La Bella Polenta. O evento que celebrou a finalização do Programa de Turismo Rural também serviu para juntar gastronomia e turismo.

As alunas partiram do pressuposto de que o município nacionalmente conhecido pelo turismo de aventura precisava de um prato típico para atrair visitantes e conferir uma marca, enfatiza uma das alunas Yeda Lopes.

“Brotas tem uma natureza exuberante e recebe milhares de turistas todos os anos. Os alunos pretendiam tornar a polenta um prato ‘obrigatório’ em todos os restaurantes.”

A ideia não vingou, segundo ela. “Porque o clima é quente e a comida também. À época um único restaurante adotou o prato. Até o ano passado, eles fizeram o festival da polenta. Tentamos criar uma identidade gastronômica.”

A ideia de adotar a polenta foi resultado de uma pesquisa e várias discussões realizadas durante os 10 meses do curso, enfatiza a aluna. “A polenta foi escolhida como prato típico porque encontramos os imigrantes de italianos como colonizadores. Eles tiveram forte influência na cidade.”

Como os imigrantes consumiam polenta diariamente, a rua onde eles moravam tinha cheiro de polenta. “O cheiro da polenta pairava no ar, diziam os antigos. Em função disso, a rua Eliseo Lourenção ficou conhecida como a rua da polenta.”

Ieda Lopes lembra que durante o festival foram confeccionados quatro molhos para acompanhar a polenta. “Foram convidados apenas formadores de opinião. A ideia era tornar a polenta um prato presente em todos os cardápios de restaurantes e pousadas de Brotas. Criamos uma logomarca e os convites.”

A aluna Solange Ramos Zampieri do curso ministrado em Pederneiras frisa que no item pesquisa gastronômica, além do aipim, os alunos descobriram que a falta de energia elétrica no início do município gerou o porco na lata, um prato caipira.

“As primeiras famílias que chegaram ao município não tinham energia elétrica e consequentemente não tinham geladeira. Para conservar a carne, eles abatiam os porcos, cozinhavam toda a carne e as conservava em latas com banha. Conforme a necessidade, elas iam retirando a carne das latas e após esquentá-las era servida. Surge assim o porco na lata, até hoje apreciado por muitos moradores. Uma marca da receita é o uso de especiarias.”

Já o aipim faz parte da história mais antiga, ressalta a aluna. Os índios usavam na alimentação. “Os brancos chegaram e incorporaram a mandioca no cardápio. Usavam para fazer farinha, na sopa, nos bolos e cozinha, especialmente.”

Foi na época da 2ª Guerra, quando a farinha de trigo ficou escassa, que o aipim teve um papel importante na história dos moradores. “Os antigos contavam que a farinha ficou escassa e a massa da mandioca foi acrescentada na massa do pão tradicional. Além de aumentar a massa, o aipim enriqueceu o sabor e foi adotado como um ingrediente primordial.”