08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A ALMA DE UMA CIDADE


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Pelos anos 20 a fábrica se instalou e o progresso da Vila assim começou. Ergueram com os tijolos uma chaminé, que virou um símbolo de garra, de fé. Ao redor da fábrica tudo prosperou e todo um bairro a Antarctica gerou. Foi lá quem em 1969, casado, fixei residência, acolá vivi muitos anos de minha existência. Acolá meus três filhos cresceram, se casaram, tiveram filhos. Um dia a fábrica fechou, uma firma a fábrica derrubou, só a velha chaminé uma máquina ainda não tombou. Sempre tive no meu coração uma esperança de que se preserve o que restou da pujança, de um velho bairro que jaz maturado, porque o passado de glória não deve jamais ser olvidado. Sempre quis a saga da Vila Antarctica resgatada, com a velha chaminé bem conservada. Bauru nunca poderá apagar da memória: a fábrica da Antarctica fez história.

José Fernandes Ávila (ex-vereador) aqui no JC escreveu (Tribuna do Leitor de 9/dez/2008): “Quantas famílias aqui se instalaram e hoje seus filhos, netos e bisnetos são pessoas de respeito, não só em Bauru, ganharam projeção nacional e até internacional. Vamos relembrar agora: os Garmes, Obeid, Mondelli, Matsumoto, Mancuso, Ferrero, Fernandes Egéa, Penha, Alegria, Comegno, Matias, Crepaldi, Bigheti, Rascão, Caçador, Godoi, Carrijo, Silva Soares, Afif, Bacan, Aceituno, Gomes, Bagnol, Lot, Passos, Perezin, Lopes, Rios, Fuzetti, Canedo, Tripoli.

Cada família representa uma grande história de conquistas, realizações e amor ao próximo que havia naquela época”. Em 4/jan/2009, eu, que já fui um morador da Vila por mais de 35 anos, escrevi um poema que foi publicado na coluna “Ao pé da letra (JC)”, onde roguei que a velha chaminé fosse poupada pelas máquinas demolidoras. Agora, o Conselho do Patrimônio Histórico de Bauru, no dia 25/out/2010, através de Sérgio Losnak, numa emissora local de rádio FM, anunciou um acordo de cavalheiros entre a Prefeitura de Bauru e os construtores de futuro “shopping center” no local, para preservação da velha chaminé da fábrica da Antarctica, a qual será tombada como patrimônio cultural. Desejo finalizar relembrando as palavras do historiador bauruense Luciano Dias Pires: “O corpo de uma cidade é o seu povo e a alma é a sua história. Esta, se não for preservada, respeitada e divulgada, povo e cidade perdem a sua identidade”. (Gilberto Sidney Vieira)