09 de julho de 2026
Bairros

Uma conquista, um problema

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 1 min

Tudo seria flores se, ao deixar o lar em busca de renda, a mulher contasse com o apoio e a compreensão do marido e o suporte do governo para ter onde deixar os filhos enquanto trabalha. Mas as coisas não são assim e, infelizmente, o principal resultado da busca pela independência tem sido o aumento da violência doméstica.

Para a historiadora Lilian Henrique de Azevedo, pesquisadora de gênero, isto acontece porque, embora a sociedade, no geral, tenha se acostumado com a nova condição da mulher, o ambiente doméstico ainda sofre muitas amarras.

“Dentro de cada família existem amarras internas de diferentes origens, sejam elas religiosas, culturais ou educacionais. Agora pense: o que o marido ganha com uma mulher independente? Ajuda financeira? Mas será que isso é tão interessante a ponto de não conflitar com os valores que herdou?”, questiona Lilian. “É então que surge a possibilidade desta insatisfação se desencadear em violência doméstica”, completa.

Acyr Santinho Motta, presidente do Conselho da Condição Feminina de Bauru, acredita que, a melhor solução para este problema é a criação de políticas públicas e uma rede de proteção bem estruturada para dar amparo e orientação a essas mulheres.

“Atualmente as mulheres já têm muitos benefícios, como a prioridade em habitação, financiamentos e proteção por lei, porém ainda há muito o que melhorar”, pondera.

Lilian concorda e afirma que o Estado precisa fornecer às mulheres a possibilidade de se rebelar contra a violência. “A mulher precisa ter um respaldo bom, saber que tem onde deixar as crianças, que tem proteção para só então ter coragem de se arriscar a conhecer o outro lado da moeda”, justifica.