09 de julho de 2026
Política

Sessão repercute problemas da Saúde

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 6 min

A dificuldade de vagas para internação hospitalar e a resistência de parte dos médicos da rede municipal de Saúde em cumprir as novas regras de jornada e plantões na prefeitura voltou a merecer críticas de vereadores, na sessão de ontem.

Os parlamentares falaram da demora no atendimento da população que procurou atendimento médico no Pronto-Socorro Central (PSC) no último final de semana. A falta de alguns médicos, que teriam se comprometido a trabalhar no feriado prolongado, e os ajustes na implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para os servidores da Secretaria Municipal da Saúde foram o tema central das falas.

Conforme o noticiado pelo JC na edição de sábado, uma parcela de médicos que trabalham nos dois pronto-socorros municipais – o Central e o do Jardim Bela Vista – estaria descontente, provocando demora no atendimento aos pacientes. Na última sexta-feira, na Bela Vista, houve suspensão da prestação de serviços. Com a implantação do PCCS, a jornada de trabalho foi reduzida 14 horas por semana, passando para 30 horas semanais, e as escalas de plantão passaram a ser organizadas pela própria Secretaria Municipal de Saúde, e não mais pelos próprios profissionais.

A insatisfação com a nova norma, aliada aos problemas de estrutura defasada e a dificuldade em se obter internação dos pacientes já atendidos nas unidades de urgência e emergência nos hospitais da cidade, agravaram a situação no Porno-Socorro Central. Ontem, o vereador Paulo Eduardo de Souza (PSB) ressaltou que o PCCS é um avanço e a redução da jornada de trabalho, ao final, levou a uma “economia” de contratação de médicos, ao propiciar maior rotatividade para a escala de plantões. “O plano veio para redimensionar o quadro de trabalhadores, reconhecer que o salário que era pago era inferior”, ressalta.

Para o vereador, que também é médico, as inovações trazidas pelo plano acabaram interferindo em uma rotina de anos nas escalas de plantão, por exemplo. “Ele mexe em uma situação que já estava sacramentada há muito tempo. Por isso, a resistência”, avaliou. Souza também elogiou o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti. “Será o nosso secretário um impostor? Não. Há projeto de mudança para a saúde? Há, um projeto forte. E qual é ele? A finalização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que vão descentralizar o atendimento no PS, que também vai propiciar a reforma do pronto-socorro”, observa.

Renato Purini (PMDB), líder do prefeito na Câmara, avaliou que há problemas na saúde municipal, mas que eles são inferiores aos enfrentados pela administração anterior e no início da atual. “Eles são menores que os do passado, mas maiores que os que vamos enfrentar no futuro”, observou. “Eles diminuíram e trabalhamos para que cessem. E a Câmara teve uma participação muito importante nesse processo ao discutir o PCCS. Ele veio para resolver o problema administrativamente. Mas obviamente ainda não teve tempo de surtir com todos os efeitos desejados, já que ainda está sendo implantado”, ponderou.

Punição prometida

Segundo Renato, o prefeito deixou claro que não ficou satisfeito com a atitude de alguns médicos que teriam se comprometido a trabalhar no feriado prolongado e não teriam aparecido no PS. “Todos os que assumiram compromisso de estar lá e não foram vão responder a processo administrativo e serão punidos para dar exemplo. Saúde é coisa séria. O cidadão não vai ao Pronto-socorro porque quer”, ressaltou.

Já Roberval Sakai (PP), que esteve no PS na última sexta-feira, solicitou que a TV Câmara exibisse reportagem feita justamente naquele dia sobre o problema no atendimento e aumentou o tom das críticas. “Quem fez essa escala? Sei que o prefeito foi até o pronto-socorro para saber o que estava acontecendo. Mas e o secretário de Saúde? Onde ele estava? Vá até o pronto-socorro, secretário, veja o sofrimento do povo. Não dá para esperar. Aprovamos o PCCS e agora quero que a população seja melhor atendida”, pontuou.

Chiara Ranieri (DEM) também cobrou mudanças. “Sabemos que muitos funcionários fazem de tudo para atender a população, que estão dobrando seus plantões. São pessoas que trabalham 24 horas seguidas e não esporadicamente, é um problema sistemático. É preciso agilizar a contratação de profissionais”, observou.

Para Fabiano Mariano (PDT), o problema na Saúde é crônico e não é exclusivo de Bauru. “Mas aqui na cidade temos projetos. E um deles é o PCCS, que aprovamos após muitas discussões”, afirmou.

Ele também elencou as ações municipais no setor, como a construção das UPAs e aumento de equipes do Programa Saúde da Família (PSF). “E isso demanda tempo, mas estamos no prazo. O programa de governo do Rodrigo Agostinho é para quatro anos. Bauru ficou no caos por 20 anos e não dá para recuperarmos isso em apenas dois anos”, ponderou.

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Pedro Tobias visita hoje novo secretário da Saúde

O deputado Pedro Tobias (PSDB), que vai começar o seu quarto mandato na Assembleia, teve o nome aventado para assumir cargo no governo Alckmin, porém, garantiu que não tem desejo de abandonar a legislatura. “Deputado não pode largar o mandato”, sentenciou. “Além disso, se assumo algum cargo, tenho que parar de ser médico. E isso eu não fa-ço”, disse ontem, ao JC, logo após o anúncio dos primeiros quatro secretários do futuro governo Alckmin.

]Tobias afirmou estar satisfeito com a escolha do governador para a Saúde (médico Giovanni Cerri) e revelou que ainda hoje vai fazer a primeira visita oficial ao colega de profissão. “Já conversei com ele informalmente sobre os problemas da cidade e da região, mas amanhã (hoje) vamos conversar melhor”, conta.

Já Clodoaldo Gazzetta revela que a cúpula estadual do PV vai se reunir nesta quinta-feira com Alckmin e sua equipe, quando apresentará uma proposta programática para participar do governo, com duas secretarias, possivelmente. Dessa forma, o bauruense assumiria uma cadeira no Legislativo estadual.

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Projetos para o esporte e convênio são aprovados

Na reunião de ontem, os vereadores analisaram o projeto de lei de autoria do Executivo que autoriza a transposição e o remanejamento de recursos no orçamento do Município no valor de R$ 406.870,84 para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), para construção e ampliação de unidades esportivas e desenvolvimento do turismo. A votação tinha sido adiada a pedido do vereador Roque Ferreira (PT), que solicitou informações do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) sobre a localização das praças e critérios para escolha dos endereços.

Ontem, o vereador relatou que tinha as respostas. As quadras serão instaladas no parque a ser construído ao longo da avenida Nações Unidas Norte, no Joaquim Guilherme, Jardim Solange, Granja Cecília, Nobuji Nagasawa, Vila Industrial, Mary Dota, Parque Jaraguá e Val de Palmas. Segundo Roque, os locais escolhidos são aqueles que possuem alta densidade de população jovem e famílias sem condições materiais de participar de prática esportivas.

Outra proposta do Executivo aprovada é a que autoriza a transposição de recursos, no orçamento do município, em favor do Gabinete, para o Fundo Municipal de Manutenção do Corpo de Bombeiros.

A suplementação de recursos é no valor total de R$ 230 mil. Destes, R$ 180 mil vão para o Corpo de Bombeiros, que contará com um cavalo mecânico para atender ocorrências de grande vulto, como o combate a fogo em mata, por exemplo.

Já a proposta de lei de Paulo Eduardo de Souza (PSB) para instituição das “Ruas de Lazer” gerou polêmica. Chiara Ranieri (DEM) questionou a diferença desse projeto para o da Recreiovia, que teve participação de Fernando Mantovani (PSDB) e que já está em vigor no município. Paulo Eduardo explicou que seria a identificação de uma rua para concentrar o atendimento de todas as necessidades do bairro, como festas de moradores, por exemplo. A proposta foi aprovada.