Ela já foi a doença romântica dos boêmios, depois transformou-se na peste branca que aterrorizou a população no fim do século 19 e em boa parte do século 20. Hoje, a tuberculose, embora muitos acreditem que esteja erradicada, ainda faz vítimas em Bauru.
Somente nos nove primeiros meses deste ano, 138 casos foram registrados pelo Departamento de Saúde Coletiva da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Destes, 52 eram detentos do sistema prisional da cidade, população proporcionalmente mais vulnerável que os demais moradores por passarem grande parte do tempo em espaços com alta concentração de pessoas.
Em relação ao intervalo entre janeiro e setembro de 2008, quando município recebeu o diagnóstico de 134 casos, os números se mantiveram estáveis. No mesmo período de 2008, 2007 e 2006, a quantidade de doentes identificados foi de 152, 120 e 103, respectivamente. O índice de contaminação na cidade é praticamente o mesmo da média brasileira, de 38 casos por 100 mil habitantes.
Hoje, no Dia Nacional de Combate à Tuberculose, especialistas enfatizam a importância da continuidade no tratamento para diminuir a incidência de mortes. Causada pelo bacilo de Koch, a moléstia tem cura, mas ainda mata por desinformação e preconceito. Na região de Bauru, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, três pessoas morreram em razão da doença no ano passado, uma a mais em relação a 2008.
E se ela persiste em pleno século 21 é porque não se desvencilhou da desigualdade social que ainda faz parte não apenas da cidade, mas do País como um todo. Isso porque a tuberculose só se espalha onde as condições de vida e o acesso à informação para a prevenção correta são precários.
Conforme explica explica o pneumologista Carlos Sacomandi, do Serviço de Moléstias Infecciosas da SMS, após o contágio, o tratamento, oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), deve ser realizado por seis meses, mas parte dos pacientes deixa de tomar os medicamentos antes de estarem completamente curados. “Já nos primeiros dois meses do tratamento, o paciente costuma ter uma melhora rápida. Então, muitos deixam de tomar os remédios corretamente ou até param o tratamento”, explica.
Transmissão
A doença é transmitida através do espirro, tosse e até pela fala do portador de tuberculose. Os bacilos, que estão nas gotículas de saliva, ficam dispersos no ambiente e são aspirados por outra pessoa. “Na tuberculose pulmonar o doente transmite o bacilo através desses atos pois estão diretamente ligados ao pulmão”, afirma o médico. Tem maior propensão a adquirir a doença pessoas que possuem baixa imunidade, de baixa renda que moram em aglomerados, que frequentam lugares fechados muito movimentados e presidiários.
O que poucos sabem é que o mesmo bacilo da tuberculose pulmonar pode atingir outros órgãos, como rins, fígado, olhos, meninge (membrana que reveste o cérebro) causando variados tipos da doença. “Como o bacilo que atinge o pulmão pelas vias respiratórias cai rapidamente na corrente sanguínea, ele pode afetar qualquer órgão”, explica o médico.
O bacilo de Koch causa uma necrose no órgão atingido, que futuramente perderá a sua função. “A mesma pessoa pode ter tuberculose pulmonar e gástrica por exemplo, mas essa é menos provável pois ao cair no suco gástrico o bacilo dificilmente sobrevive”, completa Sacomandi. A doença mais comum é a pulmonar, por ter um contato direto com o bacilo através das vias aéreas.
Os remédios contra a tuberculose podem ter efeitos colaterais como enjoo, náuseas, dores no estômago e, em casos extremos, pode desencadear alergia na pele. Dos que se submetem ao uso do medicamento, 90% se curam e dos 10% restantes, 80% se tornam pacientes crônicos e demoram cerca de um ano e meio para se curar. O restante morre. Os doentes crônicos são encaminhados ao centro de referência do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, onde recebem atendimento mais direcionado, porém, com os mesmos medicamentos.
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Doença pulmonar obstrutiva crônica
Hoje também comemora-se o Dia Mundial de Combate à Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), síndrome inflamatória dos pulmões que aparece em resposta à exposição a gases tóxicos inalados, como o do cigarro. No Brasil, aproximadamente 14% da população com 40 anos ou mais sofre com o problema.
Atualmente, a doença é considerada a quarta principal causa de morte no mundo e a principal responsável por casos de insuficiência respiratória crônica, um estado no qual o indivíduo acometido tem falta de ar em atividades rotineiras, como para tomar banho ou pentear os cabelos, acarretando muito sofrimento para o paciente e para a família. Mais de 90% dos pacientes com DPOC são ou foram fumantes e o tratamento, atualmente, é feito com o uso de broncodilatadores e antiinflamatórios hormonais (corticosteróides inalados).