São Paulo - Cerca de 30 cidades do Rio Grande do Sul foram atingidas por queda de granizo, seguida de pancadas de chuva forte, na tarde de ontem, segundo a Defesa Civil do Estado. Deste total, sete foram mais prejudicados, entre eles os municípios de Vacaria, São Marcos, Panambi, Floriano Peixoto, Cerrito, Santo Antonio da Patrulha e Fontoura Xavier, localizados nas regiões de Planalto, litoral norte e sul do Estado.
Pelo menos cinco cidades já decretaram situação de emergência. A chuva começou por volta das 15h de anteontem, atingindo aproximadamente 12.100 moradores. Deste total, 230 ficaram desabrigados e outros 430 desalojados.
Até a tarde de ontem, o levantamento das autoridades mostrava ainda que 905 residências e dez escolas haviam sido danificadas. Não há informações sobre pessoas feridas.
A queda de granizo que atingiu cerca de 30 cidades gaúchas também causou prejuízos em alguns municípios do Paraná, na tarde de segunda-feira. Por volta das 16h30, uma forte chuva acompanhada de granizos atingiu o distrito de Entre Rios, no município de Guarapuava, danificando 14 residências.
O Hospital Semmelweiss, segundo a Defesa Civil, teve danos causados por infiltrações, devido ao acúmulo de granizo, o que gerou a desativação da unidade. Os pacientes foram removidos para hospitais de Guarapuava.
A chuva também provocou o desabamento da cobertura de um posto de combustível, que acabou atingindo um veículo. Não houve registro de desabrigados, desalojados ou feridos. Houve ainda o desabamento de um posto de gasolina.
Já em São Paulo a chuva começou na noite de segunda-feira e se prolongou durante todo o dia, ontem, com intensidades que variavam da garoa aos pingos mais fortes. Mas, segundo a Climatempo, não choveu mais do que o normal para esta época do ano - cerca de 21,6 milímetros. O céu nublado e a umidade baixaram a temperatura, que não passou dos 26,3ºC graus na Capital paulista.
Para os paulistanos, o maior problema foi o trânsito, que ficou mais lento. Às 9h30 de ontem, o pico de congestionamento chegou a 130 quilômetros, o dobro da média do horário, longe, porém, de ser o recorde do ano - 163 quilômetros em 25 de fevereiro.
No fim da tarde, a média caiu para 80 quilômetros de lentidão. Quem se deu mal foi o motorista que estava na região sul de São Paulo, onde a lentidão foi quatro vezes maior que a média às 18h30.
Por que tanta chuva?
“Um ar quente e úmido vindo do norte do País provocou a formação de nuvens pesadas em Mato Grosso do Sul”, explica André Madeira, meteorologista da Climatempo. Elas vieram para o Sudeste e Sul.
“Nesta época do ano, as temperaturas estão mais elevadas. Quando entram em contato com o ar úmido, propiciam a formação de granizos. É comum.”
Independentemente da chuva do feriado, o tempo está demorando a firmar. E isso tem a ver com o La Niña, fenômeno que ocorre a cada três ou quatro anos. Há um resfriamento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, que afeta o clima no mundo todo.
No Hemisfério Sul, uma das maiores consequências é, segundo Madeira, a penetração de massas de ar polar mais intensa. Essas correntes derrubam a temperatura. “Mesmo assim, não está mais frio do que o normal para época”, garante o meteorologista André Madeira.