11 de julho de 2026
Internacional

Tailândia extradita ‘senhor das armas’ para os Estados Unidos


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Bancoc - Após quase três anos de uma batalha judicial e diplomática que reavivou rivalidades da Guerra Fria, a Tailândia extraditou ontem para os EUA o suposto traficante de armas russo Viktor Bout, 43 anos, ou o “mercador da morte”.

Bout foi embarcado ainda de madrugada, no aeroporto de Bancoc, em um voo fretado pelos EUA na companhia de oito funcionários americanos, logo após sua extradição ser autorizada pelo premiê local, Abhisit Vejjajiva.

Sua chegada a um aeroporto não revelado dos EUA estava prevista para ocorrer no final da noite de hoje.

O ex-oficial da Força Aérea da União Soviética responderá pelas acusações de tráfico de armas desde os anos 90 para ditadores e várias áreas de conflitos na África, América do Sul e Oriente Médio.

Ele teria utilizado suas relações para comprar, a preços menores, arsenais e armas de ex-repúblicas soviéticas ou de aliados de Moscou depois da queda da potência comunista e revendê-los.

Se condenado pela Justiça dos EUA, Bout pode ser sentenciado à prisão perpétua.

Bout foi preso em um hotel de luxo de Bancoc em março de 2008, após uma operação conjunta entre EUA e Tailândia que simulou uma tentativa de compra de armamento por um falso integrante das Farc (as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

O suposto traficante russo, que por anos violou sanções da ONU e dos EUA contra suas transações e viagens, nega as acusações e as qualifica de “fantasia americana’’.

Bout inspirou o personagem do filme “O Senhor das Armas” (2005), protagonizado pelo ator Nicholas Cage.

A decisão de Bancoc pela extradição foi precedida de intensas pressões diplomáticas tanto dos EUA como da Rússia, que queria a volta do ex-oficial soviético a Moscou.

Reações

A Chancelaria russa qualificou de “lamentável” a decisão, acusou a Justiça tailandesa - que havia autorizado a extradição no mês passado - de ceder a Washington e prometeu recorrer a “todas as medidas necessárias” para defender o cidadão russo.

“O que aconteceu não pode ser caracterizado senão como interferência na administração da Justiça”, disse Moscou, que rejeita as acusações de que Bout traficava.