Porto Príncipe - A ONU afirmou que os protestos violentos ocorridos no norte do Haiti anteontem foram organizados por um grupo com motivações políticas.
O objetivo seria criar um clima de insegurança no país para influenciar o resultado das eleições gerais marcadas para o dia 28 deste mês.
Segundo a ONU, milhares de pessoas ergueram barricadas nas ruas e atacaram forças de segurança nas cidades de Cap-Haitien, Quartier Morin (ambas a cerca de 300 km de Porto Príncipe), Hinche (130 km da capital) e diversas vilas e cidades do norte.
Os manifestantes atacaram os capacetes azuis com pedradas, bombas caseiras incendiárias, e disparos de armas de fogo. As tropas responderam usando bombas de gás lacrimogêneo, tiros de borracha e até munição letal.
Os manifestantes exigiram a saída das tropas da ONU do Haiti. Eles se baseavam na suspeita de que militares do Nepal, que integram as forças de paz, teriam trazido acidentalmente a bactéria da cólera do sul da Ásia - iniciando uma epidemia. A ONU negou que suas tropas tenha iniciado a epidemia.
Mortos chegam a mil
O Ministério de Saúde do Haiti informou ontem que o número de mortos pelo surto de cólera no país já chegou a 1.034. Os números são de domingo e foram revelados após dois dias de revisão.
Foram 117 mortos a mais que a última cifra. Só na capital, Porto Príncipe, foram 38 vítimas da doença.
As más condições de higiene nos campos de refugiados do terremoto de 12 de janeiro fazem temer um rápido aumento da epidemia de cólera, altamente contagiosa, no país mais pobre da América.
Funcionários de organizações humanitárias que estão no Haiti afirmam ainda que a cifra pode ser subestimada. O ministério afirma que mais de 16.700 pessoas foram hospitalizadas em todo o país. Já a ONG Médicos Sem Fronteiras relatam 12 mil apenas em suas clínicas.