Após passarem noites e madrugadas em filas defronte a creches e pré-escolas da rede municipal - conforme divulgado pelo JC ontem -, alguns pais de crianças de até 5 anos tiveram que voltar para casa sem a garantia de matrícula para 2011. Muitos deles estão com nomes nas “listas de espera”, aguardando algum desistente para que possam concretizar a matrícula.
Até outubro deste ano, a Secretaria da Educação de Bauru contabilizou 1.559 alunos excedentes, que aguardavam abertura de novas vagas nas unidades de ensino. Para o ano que vem estão sendo oferecidas 2.500 matrículas para novos alunos, espalhadas nas 60 Escolas Municipais de Ensino Infantil (Emeis) ou Escolas Municipais de Ensino Infantil Integrado (Emeiis).
Mesmo assim, muitas crianças não conseguem vagas porque parte delas precisa do atendimento em certas regiões da cidade, que são mais populosas. E é justamente nestas áreas onde uma matrícula é mais “disputada”.
“O fato é que sobram vagas em escolas da região central, sendo que nesses bairros mais populosos, faltam”, esclarece Rosângela Dias, diretora da Divisão de Educação Infantil da Secretaria da Educação.
De acordo com ela, os bairros mais críticos que precisam de novas creches e pré-escolas para atender crianças de até 5 anos são o Jardim Ivone, Jardim Tangarás, Nova Esperança, Nobuji Nagasawa, Parque Jaraguá, entre outros. As escolas que oferecem atendimento integral são também as mais requeridas pelos pais.
“A família deseja matricular seus filhos próximo de onde moram, pois é um direito dela. Então, acaba sobrando mais vagas nas escolas de bairros mais centrais, onde a população é mais envelhecida”, aponta Dias.
Até 2 anos
As crianças de até 2 anos de idade são as que mais sofrem com a falta de vagas. “A Secretaria não pode matricular mais crianças em uma unidade que não tenha capacidade para isso, sendo que a regra é que haja um educador para cada seis crianças”, indica Dias.
Apesar do esforço da Secretaria pela abertura de mais vagas, o município manteve a mesma estimativa de oferta do ano passado. “Infelizmente, não conseguimos aumentar a oferta e mantivemos aproximadamente a mesma quantidade de vagas, por conta das unidades que ainda passam por reforma. Até serem reinauguradas, não temos como oferecer mais vagas nessas entidades”, frisou a diretora.
Após a reforma, parte das instituições amplia sua capacidade de atendimento, que passa a ser integral. “Nós últimos dois anos, o prefeito conseguiu entregar 14 unidades reformadas, sendo que em torno de seis delas deixaram de funcionar em períodos parciais para atender em horário integral, acolhendo assim mais alunos”, ressalta.
Ontem, Nayara Rafaela Magalhães Domingues foi uma das mães que conseguiram atingir seu objetivo. Ela garantiu vaga para sua filha no Centro de Atendimento Integral à Criança (Caic), mas para isso, teve que “varar” a madrugada em frente à entidade. “Muitos esperam por desistência para poder matricular seus filhos”, contou.
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Novos estabelecimentos
Atualmente, várias escolas passam por reforma em pontos periféricos da cidade, como no Núcleo Habitacional Nobuji Nagasawa. No próximo dia 30, uma nova Emei será entregue à população no Jardim Rosa Branca. A reforma passa por um período que perdura por, pelo menos, 10 meses. “Com essas reformas, pretendemos ampliar cada vez mais o atendimento na educação infantil”, salienta Rosângela Dias, diretora da Divisão de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação.
Para expandir ainda mais a educação infantil na cidade, Dias afirmou que a prefeitura faz estudos para identificar áreas com maior déficit. “É feito um levantamento de locais mais críticos. Dessa maneira, podemos reconhecer quais bairros carecem de mais unidades de ensino”, explica a diretora. ”Há planos de levar novas escolas para o Jardim Ivone e Tangarás, por exemplo”.
O “nascimento” de novos estabelecimentos, todavia, depende do orçamento municipal. “A construção de uma nova escola depende de contratação de mão de obra, como professores, auxiliares, merendeiras, entre outras coisas. Assim, a expansão é feita de acordo com o orçamento municipal disponível para isso”, alega a diretora.
Em um ano, a rede municipal de ensino conseguiu atender a 8.665 alunos, sendo que 6.348 deles foram matriculados nas 38 Emeis. Já as 22 Emeiis da cidade conseguiram arcar com 2.317 matrículas.