Belo Horizonte - A Comissão de Ética da seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil instaurou um procedimento para apurar a conduta do advogado Ércio Quaresma, que representa o goleiro Bruno Fernandes, acusado de ser o mandante do desaparecimento e possível morte de Eliza Samudio. O defensor de Bruno poderá ser suspenso preventivamente pela OAB, o que o impediria de continuar à frente do caso.
O advogado aparece em um vídeo da TV Alterosa - afiliada do SBT em Belo Horizonte - fumando crack, supostamente em uma boca de fumo. Ciente da gravação, Quaresma se antecipou à veiculação do vídeo e concedeu entrevista à emissora admitindo que é dependente da droga e luta há oito anos contra o vício.
Desde o início das investigações envolvendo o desaparecimento da ex-amante do goleiro foram abertos quatro procedimentos disciplinares contra o advogado na OAB. A entidade requisitou o vídeo em que ele aparece consumindo crack. Ontem, a reportagem procurou Quaresma, mas a informação em seu escritório era que ele estava em viagem.
Ameaça
A dentista Ingrid Oliveira, que se diz noiva do goleiro Bruno, foi a primeira testemunha a depor ontem, no 4º Tribunal do Júri, no Rio, em audiência sobre a morte de Eliza Samudio. Durante aproximadamente 20 minutos, Ingrid confirmou depoimento que deu em outubro ao Ministério Público de Minas Gerais. Ela voltou a afirmar que foi ameaçada por Quaresma.
No dia 18 de outubro, em entrevista ao “Fantástico”, a dentista disse que gravou uma conversa com o defensor na qual ele a ameaça em seu consultório em Jacarepaguá, Rio. O vídeo foi divulgado no programa. Dias depois, Quaresma afirmou que a jovem atrapalha a defesa do goleiro.
Durante a ameaça, Ingrid disse que o advogado falou sobre Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, outro acusado pelo desaparecimento de Eliza. Segundo Quaresma, nesta conversa, ele se referia ao fato de ter ensinado Bola a “a atirar, a investigar, a perguntar”, teria dito Quaresma a ela.
Ingrid também disse que já teria visitado Bruno na cadeia entre “oito ou nove vezes”. E que, nestas visitas, o goleiro teria dito que tinha esperança que Eliza aparecesse, mas que em nenhum momento esboçou ter ideia de onde Eliza pudesse estar.
De acordo com o TJ-RJ, 11 pessoas seriam ouvidas ontem e os depoimentos serão enviados à Justiça de Minas, onde é investigada a morte de Eliza.