08 de julho de 2026
Turismo

Vinhos com sabor inconfundível

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

O turismo é a principal fonte econômica da Ilha da Madeira, que apresenta um calendário de festas tradicionais, festivais de músicas e torneios esportivos para todos os gostos. Em setembro, com o início das vindimas (a colheita da uva), é realizada a Festa do Vinho, no estreito de Câmara dos Lobos, distante 12 quilômetros da Capital, Funchal.

Os visitantes têm a oportunidade de encenar o ritual da produção do madeira, vinho licoroso que tem o nome da ilha, é famoso em todo o mundo e só feito lá. Além de apanhar a uva no pé, o turista pode entrar no cortejo dos vindimadores, que é formado pelos produtores locais, e revive hábitos ancestrais. Eles surgiram com o povoamento da ilha em 1425, quando chegaram os primeiros colonizadores.

Evento tem shows folclóricos

Antigamente, as uvas eram esmagadas com os pés em lagares (grandes tanques para centenas de quilos de cachos), para produção do mosto (o suco resultante da pisa que, depois da fermentação, vira vinho).

No mesmo fim de semana da Festa do Vinho, em Funchal a comemoração da safra toma as ruas, com espetáculos folclóricos ligados ao tema, que também ocorrem em Porto da Cruz, na costa norte da ilha, durante a Festa da Uva. A uva malvasia foi a primeira casta usada para produzir o vinho madeira, que aparece com destaque na história e literatura mundial desde o século 15.

Em 1748, na Inglaterra, o Duque de Clarence foi condenado a morte pelo rei Eduardo IV por atentar contra a sua soberania. Diz a lenda que ele preferiu morrer afogado numa pipa de malvasia. Um século mais tarde, Shakespeare, ao dramatizar a vida de Ricardo III, irmão do duque, retratou esse episódio no cenário da Torre de Londres. O lorde John Falstaff, personagem da peça sobre a vida de Henrique IV, do mesmo dramaturgo, rende sua alma “por um copo de madeira e uma perna fria de capão”.

A produção total de vinho madeira é de 4 milhões de litros, por oito empresas produtoras. Líder de mercado, a Madeira Wine Company responde por 1,5 milhão de litros. Os turistas podem degustar seus vinhos em visitas guiadas por suas instalações, em um anexo do Mosteiro de São Francisco, do século 17, e conhecer as mais antigas adegas de vinho da Madeira, o museu com máquinas da época, cartas e documentos históricos.

Boa parte do vinho (40%) é exportada, em garrafas ou a granel – neste caso um vinho base, utilizado na culinária, no famoso molho madeira e em doces.

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Como surgiu a famosa bebida

O madeira, a princípio, era um vinho comum, mas o transporte cuidou de sua transformação à forma que lhe deu fama mundial. Barcos paravam no porto de Funchal para se abastecer de alimentos e bebidas e levavam o vinho dentro de pipas de madeira nas viagens marítimas. Dizem que com as altas temperaturas e com o balanço da embarcação durante o percurso, o vinho se transformava, às vezes estragava.

Passou-se, então, a adicionar álcool vínico ou aguardente de cana para preservá-lo, interrompendo assim o processo de fermentação. Com isso, o vinho ganhou longevidade, aspecto licoroso e maior teor alcoólico.

As uvas que geram o vinho madeira, além da malvasia (originária da Ilha de Cândia, na Grécia), são das variedades bual (que chegou à ilha com os jesuítas no século 17), o verdelho (originalmente do norte de Portugal), sercial (natural do Vale do Reno, na Alemanha), terrantez (muito rara e pouco empregada) e tinta negra (a única casta tinta utilizada na produção desse vinho português).

Dependendo da uva usada, muda o estilo e a consistência do vinho. O madeira de malvasia é doce e encorpado, bom digestivo e companhia inseparável do bolo de mel com especiarias uma sobremesa típica da ilha. O vinho feito com a uva bual é menos doce, acompanha queijos de massa mole e alguns doces.

A verdelho produz um vinho meio seco, de aromas mais acentuados, que vai bem se tomado junto com sopas. A sercial é responsável pelos exemplares de madeira mais secos, vigorosos, indicados para aperitivos. E os da tinta negra - que são encontrados com as denominações doce, meio doce, meio seco e seco - sugerem diferentes acompanhamentos.

• Serviço

A TAM em code-share com a TAP tem voos diários para Lisboa com conexão para Funchal. Informações: www.tam.com.br/ www.turismodeportugal.pt/www.visitportugal.com/ 4002-5700.

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Boas compras e boa mesa

Não volte para casa sem comer o melhor da gastronomia da ilha, beber seu vinho internacionalmente conhecido e comprar bordados e peças de artesanato únicas.

Por toda ilha não faltam lojas de vinho, cestarias, lenços, toalhas e outros bordados nas mais variadas opções de cores e formas.

Aproveite para ir direto à fonte - caso do centro de produção de artigos de vime na Camacha -, passando por adegas e por coloridas vilas típicas.

O artesanato da Madeira é perfeito, especial, detalhista. Verdadeira obra de arte.

As flores e frutos tropicais, a temperatura amena das águas do mar e das piscinas naturais, a riqueza do patrimônio histórico, os luxuosos hotéis e a vida cosmopolita do Funchal (bares, discotecas, cassino) são outros trunfos desse destino imperdível.

A ilha é perfeita também para o descanso. Conta com hotéis e centros de saúde que oferecem banhos terapêuticos, saunas, hidromassagem e talassoterapia com resultados comprovados na cura de várias doenças.

E é um dos mais completos destinos de golfe do mundo. A Madeira pode ser considerada um pequeno paraíso subtropical no mapa dos grandes destinos desse esporte que a cada dia conquista novos adeptos.

A facilidade de voos a partir de Lisboa e de outras capitais européias permite o deslocamento rápido até ao Funchal, Capital desse paraíso subtropical de florestas primitivas, espetaculares montanhas e jardins coloridos.