10 de julho de 2026
Pesca & Lazer

Após 30 anos, pescadores voltam ao rio Sorocaba


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Uma cena desaparecida do cenário urbano há pelo menos 30 anos voltou a ser vista desde o último sábado (dia 13/11) em Sorocaba, a 92 quilômetros de São Paulo. Pescadores ocuparam as barrancas do rio na tentativa de fisgar peixes, algo impensável anos atrás por causa da poluição. Obras de saneamento dos esgotos realizadas em Sorocaba e Votorantim, cidade à montante também cortada pelo rio, melhoraram a qualidade das águas e propiciaram a volta dos cardumes.

A pesca, no entanto, só foi liberada depois de um acordo entre a prefeitura e os órgãos ambientais do Estado. Os pescadores usaram apenas caniços e varas e, no caso de espécies da fauna brasileira, como piavas e curimbatás, tiveram de adotar o sistema “pesque-solte”. Isso porque a captura desses peixes durante a piracema, período de desova que vai até 28 de fevereiro, é proibida. Peixes exóticos, como carpas e tilápias, abundantes no rio, puderam ser levados para casa.

As pescarias vão se restringir, por enquanto, a um trecho de 1,8 quilômetro, entre a ponte do Pinga-Pinga, na zona leste, e o Parque das Águas, na zona norte, onde existe um deck para observação do rio que poderá ser usado pelos pescadores. A prefeitura e o comando da 3ª Companhia de Policiamento Ambiental querem incentivar a pesca esportiva - quando o peixe é solto depois de fisgado.

“A volta dos peixes é um indicador de que o rio está recuperando sua qualidade”, disse a secretária do Meio Ambiente de Sorocaba, Jussara Carvalho. Somente a prefeitura de Sorocaba investiu R$ 120 milhões num projeto de despoluição que já eliminou 90% dos esgotos.

Uma norma do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) proíbe a pesca a 200 metros de corredeiras e saídas de efluentes, como esgoto, por isso a atividade estava suspensa no trecho urbano desde o início dos anos 1980. Foi o período em que o excesso de poluição quase matou o rio.

Nos últimos anos, com as obras de despoluição, os peixes começaram a voltar e atrair pescadores. Como a pesca não estava autorizada, a multa de R$ 1,2 mil chegou a ser aplicada há oito meses.

O ambientalista Jorge Alvarenga, que encabeçou o movimento pela pesca, disse que o rio é um patrimônio de Sorocaba. “Agora que o rio está limpo, as pessoas vão usar para o lazer e isso ajuda na conservação.” O aposentado José Rafael, de 77 anos, não via a hora de voltar a pescar no Rio Sorocaba que, segundo ele, já teve muito peixe. “Faz tempo, mas peguei um curimbatá de seis quilos.”

Os pescadores terão de se cadastrar na Polícia Ambiental Na sexta-feira passada, no início da tarde, 40 pessoas já haviam requerido a licença.