11 de julho de 2026
Política

Para militante venezuelano, universalização do ensino superior requer somente vontade

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Tornar universal o acesso à universidade pública. O estudante venezuelano Euler Calzadilla, 29 anos, militante marxista e participante do movimento “Tirem as mãos da Venezuela”, explica que em seu país o processo partiu dos próprios estudantes e contou com o apoio do governo nacional. Com milhares de pessoas já cursando o ensino superior, ele afirma que o novo desafio venezuelano para a educação é o mercado de trabalho.

Sem recorrer à políticas de cotas ou vestibulares que acentuam a exclusão, Euler afirma que a Venezuela conseguiu oferecer cursos e titulação de ensino superior para quase toda a demanda detectada. Em visita ao Brasil, o estudante do curso de agronomia também defendeu a política do presidente Hugo Chaves. Segundo Euler, a mídia internacional distorce a realidade venezuelana. “A propaganda feita contra a Venezuela e difundida pelo mundo é enganosa”, sentencia. Por isso, o movimento “Tirem as mãos da Venezuela” busca uma política de contra-informação.

Ontem, em Bauru, ele ressaltou que o processo para a universalização do acesso ao ensino superior começou em 2003, com uma espécie de censo estudantil iniciado pelos jovens. “Os próprios universitários sugeriram ao governo a difusão do acesso”, pontua. Segundo Euler, como no Brasil, o ensino superior público acaba sendo alcançado pela minoria que teve condições de arcar com escolas privadas. Já os mais pobres chegam ao ensino superior pelas vagas oferecidas em faculdades privadas.

Euler afirma que para inverter o processo é necessário vontade política por parte de estudantes e governo. “Começamos com um censo e com vontade política. Além disso, o governo também demonstrou interesse nas reivindicações. Se não tivessem abrigado nossas propostas, talvez teríamos que partir para outras ações, como pressão pela aprovação do projeto”, observa.

Para ele, o Brasil tem todas as condições de seguir o modelo venezuelano, mesmo com as diferenças de dimensões geográficas e abismos sociais daquela nação. “Temos um grande desequilíbrio no país. De um lado, nossa indústria é muito pobre. Mas as empresas voltadas à exploração de petróleo possuem alta qualificação e tecnologia. A classe dominante não investe em nada que não seja relacionada ao petróleo. E mesmo assim, conseguimos oferecer universidade para todos. E o Brasil, um país muito mais desenvolvido, também pode. É uma questão de vontade política”, observa.

Mesmo com a difusão das instituições abertas, as universidades públicas autônomas venezuelanas continuam a atender a população, mas de acordo com Euler elas são muito similares às brasileiras. “São fechadas, elitistas. Agora, todos estudantes têm vagas nas universidades abertas”, observa.

Euler explica que após o censo estudantil foram criados programas para atender diferentes perfis de estudantes. Desde os que acabaram de terminar o ensino médio, aos que já exercem alguma atividade, com conhecimento prático, mas sem o embasamento técnico.