O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) informou ontem que pediu ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) o envio do processo revisado, referente à contratação de interceptores de esgoto em mais 7 quilômetros ao longo da avenida Nuno de Assis. O chefe do Executivo disse que quer verificar as modificações inseridas no método de instalação dos tubos, mas adiantou que vai liberar a publicação da nova concorrência para o lote 2.
Conforme revelou o JC na edição de ontem, após a reportagem ter iniciado levantamento sobre os custos dos serviços, há mais de quatro meses, o DAE passou a pesquisar alternativas para tentar baratear o custo dos interceptores na Nuno. No lote 1, de oito quilômetros de extensão, a autarquia inseriu o método não destrutivo (MND) para instalação dos tubos em um trecho ao longo do rio Bauru.
Mas, conforme adiantou o JC, a escolha do uso do mini shield – escavação com tubo de concreto armado – aumentou o valor do contrato apenas no primeiro trecho em R$ 5 milhões. Diante da discussão em torno da opção por este equipamento, conhecido como “tatuzinho”, a Divisão de Planejamento do DAE passou a avaliar alternativas. Anteontem, o presidente da autarquia, advogado Rafael Ribeiro, contou que a revisão do edital vai gerar a troca do uso do mini shield pelo sistema túnel line (escavação manual com montagem de tubo de ação).
O prefeito disse que o edital do trecho 2 agora será liberado para publicação. “Eu vou dar uma olhada neste processo, mas não tem problema. Com a revisão, o DAE poderá abrir esta licitação para mais um trecho de interceptores da Nuno”, disse Agostinho.
Rodrigo encarou como natural a discussão em torno da revisão do edital. “O edital deste trecho não teve sucesso e depois da discussão sobre a melhor forma de instalar os interceptores, a equipe do DAE foi verificar alternativas. Vou dar uma olhada e depois o edital pode ser publicado. Isso é tranquilo”, falou.
A discussão iniciada pelo JC em torno de custos, métodos e procedimentos adotados para o programa de tratamento de esgoto também vai ter efeito sobre o projeto executivo da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). “O conceito definido para o tratamento de esgoto não muda, mas nossa expectativa é de que na próxima semana seja convocada uma coletiva à imprensa para apresentar o projeto executivo. Teremos modificações na estrutura. Eu discuti em uma reunião com a empresa que elabora o projeto, por exemplo, que o módulo não seja construído em concreto mas enterrado e com manta. Isso reduz bem o custo nisso. Vamos apresentar essas situações e o detalhamento da proposta para construir a estação”, finalizou Agostinho.
Anteontem, o presidente do DAE Rafael Ribeiro já havia dito que a revisão do edital do trecho 2 da rede de interceptores da Nuno de Assis seria enviado ao prefeito. “É ele quem vai dar a palavra final”, citou.
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O que mudou
O DAE assinou os serviços do trecho 1 de interceptores, de oito quilômetros, por R$ 19 milhões, com o uso do tatuzinho. O uso do equipamento mini shield a uma profundidade de sete metros na escavação na margem esquerda do rio Bauru, do lado da região do Jardim Santa Luzia próximo ao trevo da Rondon, teve peso direto sobre o custo final acima da expectativa original em cerca de R$ 5 milhões.
O trecho 1 de escavação com tubo de concreto cravado (mini shield) foi adotado para uma extensão de 1.100 metros. No trecho 2, com passagens sob trilhos, o método não destrutivo atinge no máximo 370 metros. Como a profundidade é de apenas três metros em parte do segmento, o custo final será bem menor. A substituição da escavação com o tatuzinho pelo túnel line (manual) é a metade da outra licitação.
A substituição afeta interesse de quem atua nesta área. Entretanto, o primeiro sistema custa R$ 4.000,00 o metro, contra R$ 2,.000,00 da alternativa agora apresentada pelo DAE.
Ou seja, enquanto o trecho 1 dos interceptores a serem colocados entre a alça da Rondon até o Distrito Industrial I se valeu do equipamento mini shield com tubos de diâmetro de 1,20 metro a 2,0 metros, a sete metros de profundidade em boa parte do setor, no trecho 2 a revisão levou à escolha da escavação manual com profundidade de três metros (menos da metade para as condições da área que vai da altura da Rodoviária à região da Sambra, próximo da Comendador Martha).
A licitação também vai apresentar mudança na forma de escavação. Ao invés da vala aberta – utilizada pelo DAE nos serviços de interceptores realizados por equipe própria -, a área de planejamento agora apontou o sistema de vala escorada como melhor solução.
A diferença é que, no caso do trecho de interceptores da Nuno, a escavação por vala escorada vai reduzir a destruição do pavimento da avenida para uma faixa de dois metros, contra sete metros do sistema anterior, segundo a diretora de Planejamento do DAE, Nucimar Paes.