Lisboa - Definir um prazo para a retirada de tropas do Afeganistão será o assunto principal da cúpula da Otan que começa hoje em Lisboa com chefes de Estado e de governo dos 28 países-membros da aliança militar ocidental.
A cúpula contará com a presença do presidente dos EUA, Barack Obama, às vésperas de sua revisão anual da guerra, mês que vem. E ocorre quando diversos aliados anunciam que em breve deixarão uma guerra que, após nove anos, é cada vez mais impopular.
A cúpula - que termina amanhã - deve aprovar o plano do presidente afegão, Hamid Karzai, para que o país assuma a responsabilidade pela segurança no final de 2014. O processo teria início em 2011, com a transferência de algumas áreas para controle afegão.
O plano permitiria ainda que os membros da Otan começassem a retirar parte de suas tropas - de um contingente total de 140 mil soldados alocados no Afeganistão.
Obama diz que a retirada dos EUA começa em julho próximo. Mas militares de outras nacionalidades podem voltar mais cedo.
O Canadá disse nesta semana que seus 3.000 soldados encerrarão missões de combate em 2011. A retirada alemã começa em 2012.
Ontem o premiê do Reino Unido, David Cameron, afirmou que as tropas britânicas encerrarão combate em 2015, prazo não negociável.
“O Reino Unido, até 2015, terá tido um grande papel, feito uma maciça contribuição, maciços sacrifícios por um Afeganistão melhor, mais seguro e mais forte, e acho que o público britânico merece saber que há um ponto final para tudo isso”, disse.
O Afeganistão representa o maior desafio para a aliança militar desde que foi criada, há 61 anos.
Outro tema em pauta será uma reforma interna da Otan, com a redução do número de quartéis-generais e de agências para reduzir custos e melhorar eficiência. Os quartéis passarão de 11 para 7; o número de funcionários será reduzido de 13.500 para menos de 9.000; e as agências, de 14 para 6.
A proposta segue-se a cortes em defesa feitos por diversos países europeus, como França e Alemanha.
Ontem, o chefe do serviço de inteligência de Portugal, Jorge Silva Carvalho, renunciou, segundo a mídia local, por discordar de cortes na defesa causados, em parte, pelo elevado deficit do país.
O governo informou que isso não afetará a segurança para a cúpula da Otan.
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Tratado nuclear entre EUA e Rússia
Lisboa - O presidente americano, Barack Obama, disse ontem que a ratificação do tratado de controle de armas nucleares entre EUA e Rússia é “um imperativo da segurança nacional” e que o Senado do país deve aprová-lo antes do recesso de fim de ano.
Obama reuniu ex-secretários de Defesa e de Estado, tanto republicanos quanto democratas, além de membros de seu governo, para pressionar pela aprovação.
Ele afirmou que os EUA “não podem se dar ao luxo de jogar’’ com sua habilidade de verificar o arsenal nuclear estratégico da Rússia - um elemento central do tratado.
Tampouco, segundo ele, arriscar perder o apoio de Moscou em temas que incluem pressão sobre o Irã e seu programa nuclear.
“É um imperativo de segurança nacional que os EUA ratifiquem o novo tratado Start este ano”, disse Obama, ao lado de ex-secretários de Estado como Henry Kissinger (republicano) e Madeleine Albright (democrata), e da atual, Hillary Clinton.
O Start, firmado em abril passado, reduz os arsenais dos dois países a, no máximo, 1.550 ogivas cada um.