Lisboa - O secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen, inaugurou ontem a cúpula da aliança atlântica, com foco na definição de uma data para a saída das tropas do Afeganistão, além de abrir uma nova etapa de diálogo e cooperação militar com a Rússia.
Rasmussen deu as boas-vindas às delegações de cerca de meio centena de países que participam da conferência. Também visitou as cúpulas da aliança com Rússia e dos EUA com a UE, que também acontecem em dois dias de reuniões em Lisboa.
“Vamos tomar decisões que definirão o futuro de nossa aliança”, declarou Rasmussen. Os dirigentes da aliança atlântica lançarão um ambicioso plano para passar para os afegãos a responsabilidade das operações, agora em mãos de 150 mil militares estrangeiros, que podem iniciar a retirada já no próximo ano.
Ao preparar a conclusão do pior capítulo de sua história, com 2.200 soldados estrangeiros mortos desde o início da guerra contra os insurgentes do Taleban no final de 2001, a Otan pretende avaliar os erros cometidos durante a missão. Segundo a organização, as lições resultarão em um novo “conceito estratégico”.
Antimísseis
A cúpula da Otan deverá ter como principal fruto a aprovação de um novo sistema de defesa antimísseis para Europa e EUA que prevê a Rússia como parceira.
O sistema está sendo visto como uma substituição para o antigo plano americano de construir um escudo antimísseis com radares e interceptores baseados na Polônia e na República Tcheca.
Esse plano, impulsionado pelo ex-presidente George W. Bush, encontrou feroz oposição de Moscou, que temia ter sua capacidade de ataque e dissuasão esvaziada.
O presidente Barack Obama, que chegou a Portugal ontem, descartou o escudo de Bush no ano passado. Um dos motivos principais foi justamente evitar a tensão com a Rússia, com quem ele tenta renovar laços.
O sistema que está sendo agora defendido pela Otan é mais modesto. Pretende proteger tropas e instalações militares em fases, eventualmente isolando populações e territórios europeus de possíveis ameaças vindas por exemplo do Irã.
A oferta de parceria com a Rússia deve ser feita amanhã. A ideia não é ter um sistema único integrado, e sim dois sistemas -um da Europa e dos EUA e outro russo- que se tornariam colaborativos.
Membros da Otan afirmaram que o sistema é uma necessidade cada vez mais premente, já que se preveem mais de 30 países com armas nucleares ou capacidade para desenvolvê-las no futuro.
E a Europa está em vias de perder duas das quatro brigadas de combate que os EUA mantém no território.
O custo total do sistema está estimado em US$ 1 bilhão em dez anos.
A rede europeia antimísseis é o componente chave do novo conceito estratégico que está sendo preparado pela aliança militar.
O documento, que renova um conceito de mais de uma década, deve redirecionar a atenção da aliança para novas ameaças, incluindo terrorismo internacional, pirataria e ciberataques.
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Obama diz que Otan concorda com sistema
Lisboa - Os líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) concordaram em desenvolver um escudo de defesa antimísseis capaz de proteger o território de todos os países da aliança na Europa, assim como os Estados Unidos, disse o presidente norte-americano, Barack Obama, ontem.
Como parte do sistema, os Estados Unidos devem estacionar mísseis interceptores e radares na Europa.
As autoridades disseram que os 28 países integrantes da Otan investirão 200 milhões de euros para interligar os sistemas existentes com os dos norte-americanos.
“(A decisão) oferece um papel para todos os nossos aliados. Responde às ameaças de nossos tempos”, Obama disse a repórteres durante uma cúpula da aliança em Lisboa, Portugal. Os líderes irão convidar a Rússia para aderir ao sistema quando encontrarem o presidente russo, Dmitry Medvedev, no sábado.
“Estamos ansiosos para discutir amanhã (hoje) com a Rússia a construção de nossa cooperação com eles nesta área, assim como reconhecer que compartilhamos muitas das mesmas ameaças”, afirmou Obama.