10 de julho de 2026
JC Criança

Diferentes, somos todos iguais

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

Você prefere tangerina, mandarina ou bergamota? A fruta será a mesma para qualquer uma das respostas, já que recebe denominações diferentes de acordo com a região do País. E assim como as denominações vermelho e rubro, que simbolizam a mesma cor, mandioca ou aipim, para a mesma raiz, apesar de apresentarmos características físicas, comportamentos e ideias diferentes, somos iguais por sermos seres humanos e cidadãos do mundo.

Foi pensando na percepção das diferenças que o Observatório dos Direitos Humanos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, em parceria com a Secretaria Municipal da Educação, realiza, desde 2008, o projeto “Cultivando os Direitos Humanos na Educação Básica” em escolas da rede municipal, onde os alunos aprendem o que significam tais direitos a partir da percepção das diferenças. O projeto também faz parte da Jornada Bauruense pelos Direitos Humanos.

E já que é de pequeno que se torce o pepino, como diriam seus avós, o professor Clodoaldo Meneghello, coordenador do Observatório de Educação em Direitos Humanos da Unesp, explica que é importante introduzir às crianças os aspectos diversos do mundo, coisa pouco incentivada na educação e fundamental para o respeito à diversidade do ser humano.

“O mundo é diverso e os direitos humanos são um conjunto de valores com elementos que compõem a dignidade humana. Tais direitos são difíceis de serem respeitados na nossa sociedade, por isso a importância de se trabalhar a questão com os ainda pequenos. O mundo sempre foi diverso e a Educação precisa trabalhar isso”, afirma o professor.

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Diferença em cores e sabores

Com o tema “Diversidade: Quem sou eu, quem é você”, os alunos da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Márcia de Almeida Bighetti, aprenderam a observar e a valorizar os vários níveis de diferença do seu cotidiano.

A beleza da diversidade musical, os muitos sabores dos alimentos e as cores presentes na composição do ser humano foram algumas das descobertas das crianças do Jardim II. “Aprendi que todos nós fazemos parte do mesmo mundo e apresentamos características diferentes e isso é bem legal”, conta Camila Calixto Leal, 5 anos.

Em meio a cores, formatos e sensações, Hugo Delchiaro, 5 anos, gostou mesmo foi de colorir as diferenças. “Cada criança gosta de fazer uma coisa e tem um nome diferente. Eu gosto de andar de skate, outros de bicicleta...”

Para cada faixa etária, uma atividade e, ao todo, 20 trabalhos foram desenvolvidos pelos alunos da escola. De acordo com a diretora Renata Maria Landi, os trabalhos serão concluídas com a montagem de um álbum onde as páginas registram os vários aspectos da criança em sua coletividade e diversidade. “Aprendizado que levarão para a vida toda”.

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Diversidade é o que interessa

“Ninguém é igual a ninguém por causa das diversidades”, afirma o pequeno Gabriel Gaspareto dos Santos, 5 anos, sobre o que aprendeu com o trabalho desenvolvido na Escola Municipal de Educação Infantil Integrada (EMEII) Venâncio Ramalho Guedes de Azevedo.

Gabriel e os alunos do Jardim II trabalharam com o tema “Diversidade de Família”. A professora Camila Aparecida Gonçalves contou que as crianças levaram uma caixa surpresa para casa e dentro trouxeram um objeto de valor para sua família. Depois, eles mostraram para a turma e descreveram as características físicas e comportamentais de cada pessoa que vive em suas casas.

“Nesse período, fui falando sobre as diferenças e sua importância”. A última etapa foi uma exposição feita com desenhos sobre a família de cada um.

“Gostei de desenhar minha família. Cada pessoa é de um tamanho e isso é legal”, diz Nalberth Leme dos Santos, 6 anos.

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Um olhar sobre as diversidades

Com máquinas fotográficas nas mãos e um mundo próximo a ser descoberto. Foi com esses elementos que os alunos do 6º ano da Escola Municipal de Educação Fundamental (EMEF) Santa Maria desvendaram a diversidade presente no cotidiano de todos. A atividade recebeu o nome de “Olhar para a diversidade e a desigualdade”.

“O objetivo do trabalho foi trabalhar a consciência da diversidade natural e cultural, da desigualdade social e dignidade humana”, aponta a coordenadora pedagógica Alexsandra Jabur Lor Rodrigues. Conceitos como liberdade, igualdade, espaço público e ética também foram trabalhados com os alunos dos 6º, 7º, 8º e 9º anos.

“Participamos de uma oficina para aprender técnicas fotográficas antes de começar o trabalho. O tema de minhas fotos foi a diversidade de raças. Há diferenças em tudo e é preciso respeitá-las, sem preconceitos”, acrescenta Juliana de Almeida Bonassi, 11 anos.

Cenas do dia a dia que ilustram situações de inclusão, diversidade e desigualdade social foram o foco das lentes dos alunos. Escola, vizinhança, Centro de Bauru e o Parque Vitória Régia foram alguns dos cenários escolhidos.

“É possível ver a diversidade em todos os lugares. E mesmo assim somos iguais por sermos seres humanos”, finaliza Amanda Guedes Leoni, 11 anos.