O que difere o ser humano dos outros animais é a capacidade teleológica, ou seja, a racionalidade visando um fim. Da origem do homem até os dias atuais, fatos demonstraram que barreiras antes intransponíveis (como o conhecimento do espaço em que vivem: terra, céu e mar) foram apenas o início de um longo caminho a ser percorrido pela humanidade, no qual se distanciam cada vez mais dos seres irracionais, aumentando entre ambos a fronteira do saber. Ultrapassar limites é um desejo comum a seres humanos, estes buscam aperfeiçoar suas ideias com o objetivo de tornarem-se mais instruídos e terem diversidade de tecnologias e informações. Desse modo, na evolução da sociedade, ocorreram diversas descobertas, como: a cura para doenças, a energia elétrica, a invenção do telefone, o carro, o avião... Porém, nesse último, seu inventor, Santos Dumont, arrependeu-se de sua criação ao tomar conhecimento de que os mesmos foram utilizados para bombardearem cidades, tendo como consequência a morte de pessoas inocentes. Este acontecimento gerou uma reflexão sobre o perigo da inteligência humana aliada ao egoísmo e à ganância.
Entretanto, as atitudes dos animais são instintivas, têm como principal objetivo a sobrevivência, vivem em harmonia com a natureza sendo até preservadores do meio ambiente, exemplo disso são os pássaros que distribuem sementes das frutas com as quais se alimentam, contribuindo para o reflorestamento. Quando algumas espécies têm comportamento diferente das demais, sendo mais agressivas, muitas vezes isso ocorre por fatores externos que influenciam e provocam reações mais selvagens. No entanto, animais são dignos de compreensão por sua falta de discernimento, já seres humanos tem consciência de seus atos e, mesmo sem serem provocados, alguns decidem fazer mal ao próximo, reflexo disso é a violência contra pessoas da própria família, principalmente crianças. Devido aos altos índices de maus tratos na infância, foi divulgado na programação de uma TV internacional, um comercial que mostrava vários bichos com seus filhotes em cenas de carinho e brincadeiras. Depois aparecia uma menina abraçada com um ursinho de pelúcia que ao levantar o rosto deixava à vista alguns hematomas. Nesse momento encerrava-se o mesmo com a seguinte frase: “Algumas crianças preferiam que seus pais fossem animais”. (http://www.youtube.com/watch?v=PcSNOeJquLg). Campanhas como essa são alvo de críticas por terem grande impacto na opinião pública devido ao seu conteúdo extremista.
Todavia, se outros países investissem em iniciativas desse tipo também poderiam perceber a redução da violência doméstica e, consequentemente, obter reflexos benéficos para a sociedade. Um deles seria a diminuição da necessidade de complexos penitenciários que, de maneira simples e direta, são, neste caso, apenas jaulas para animais considerados racionais.
A autora, Kaline Mira, é mãe e estudante de pedagogia da Unesp