08 de julho de 2026
Nacional

Empreendedor transforma garrafas PET em objetos que geram emprego e renda


| Tempo de leitura: 3 min

Rio Branco - O que para muitos é lixo e um problema ambiental, graças à criatividade de outros, vira matéria prima e fonte de renda que contribui para melhorar a qualidade de vida do mundo. É o que faz a Industria e Comércio de Vassouras, a Incovas. Atuando de modo ecologicamente correto, ela recicla garrafas PET que, ao invés de entupir esgotos e igarapés, se transformam em objetos úteis, como vassouras e o que mais permitir a imaginação.

Francisco Nilo Matos Viana é uma dessas raras pessoas que sempre usam sua inteligência e criatividade de maneira positiva para o bem da comunidade. Há mais de 20 anos, aprendeu com um mestre vindo de Belém (PA) a arte de fabricar vasos, panelas e outros objetos de cerâmica e com esse ofício dedicou-se por sete anos como instrutor de jovens na antiga Fundação do Bem-Estar Social do Acre (Funbesa).

Aí mudou de ramo, foi ser marceneiro. “Gostava muito de trabalhar com madeira, mas então começou a perseguição do Ibama em cima da gente. Ainda tinha os vizinhos reclamando da poeira. Era tanta confusão que resolvi fechar a marcenaria e procurar outra coisa pra fazer. Gosto de inventar coisas, no tempo da marcenaria, as miniaturas de casinhas de seringueiro que eu fiz foram pros Estados Unidos, Europa e pelo mundo afora.”

E foi usando essa capacidade criativa que Nilo inventou um método simples e rápido para transformar as garrafas PET em fios com os quais pretendia fabricar redes de pesca, cordas para estender roupas e outros objetos. Nesse caminho, foi fazendo experiências e descobriu um jeito de tornar os fios mais grossos e resistentes.

“Eu e meu filho Verlândio inventamos uma máquina que transformava uma garrafa PET num fio de 60 metros em seis segundos. Quando descobrimos como tornar o fio mais grosso e resistente a gente resolveu fazer uma vassoura que entregou pra minha esposa, Anita, pedindo pra ela testar e dar sua opinião. Ela aprovou, deu uns conselhos e nós resolvemos fabricar vassouras para vender”, explica Nilo.

Sem saber onde encontrar os demais componentes da vassoura, Nilo buscou a orientação e ajuda de um amigo, Walter do Casarão, que tem uma fábrica de vassouras de piaçava. Com ele conseguiram os primeiros cabos e suportes para fixar as cerdas da vassoura.

Fabricado o primeiro lote de vassouras, o que era para ser uma solução ecologicamente correta nestes tempos em que tanto se fala em preservar o meio ambiente, Nilo ficou com um grande problema na mão. Os donos de mercearias e até as donas de casa olhavam com desconfiança para o produto e ninguém queria comprar suas vassouras. “Dei muita vassoura. As pessoas não queriam comprar, então eu dava pra elas testarem o produto. Mas as vassouras são bastante resistentes e não dão problema. Então, demorou um pouco, mas as vendas foram crescendo e hoje nós estamos fabricando uma média de 300 vassouras por dia. Só não fazemos mais porque o espaço é pequeno e precisamos construir mais máquinas.”

Nilo, o inventor das vassouras, passou a fabricante e é, ao mesmo tempo o promotor de vendas e entregador das encomendas. Isto sem contar que é ele quem vai buscar e pagar pelas garrafas que são coletadas em mais de dez pontos da Capital acreana.

O método usado por Nilo é totalmente diferente dos usados por outros fabricantes de vassoura com garrafas PET, por isso ele quer patentear o sistema que inventou.