Confesso que estou empolgado com as pos-sibilidades que se configuram no cenário esportivo em nosso país e em nossa cidade nos próximos anos.
Apesar da empolgação, esse “tsunami esportivo” me causa muita preocupação, principalmente com a forma que o Esporte poderá ser encarado a partir de agora. Quais resultados são esperados? Quais os meios escolhidos para o alcance desses resultados? Quais valores serão estimulados? Quem serão os responsáveis pelo processo de formação e escolha dos nossos representantes, dos dirigentes aos atletas? Como esses eventos serão "consumidos" por torcedores, praticantes, espectadores, patrocinadores, professores, instituições de ensino, escolas de esportes, políticos, acadêmicos e outros? São inúmeros os questionamentos que assombram a todos que pensam e trabalham o Esporte.
Diante desse momento ímpar e pensando no evento que movimentou as últimas semanas, Bauru voltará ao centro do cenário esportivo do interior do Estado. No entanto, para que esse momento não se torne apenas momentos de saudosismo, tal quando nos referimos à última vez que Bauru o sediou os Jogos Abertos, há 40 anos, necessitamos pensá-lo, construi-lo. Temos que aproveitar para transformar os Jogos Abertos no marco do esporte bauruense, não simplesmente pelo fato de termos voltado à Elite do Esporte, ou pela possibilidade de aumento do número de medalhas conquistadas, mas pela transformação do esporte, pelo momento em que Bauru passou a ser referência e a ser visto como uma instituição que respeita o esporte, seu praticante e consumidor.
Aproveitando as colocações de Paulo Sérgio Simonetti, no Blogdonorusca, dia 8/11, é hora também de a Prefeitura, Câmara Municipal e secretarias de Governo Municipal envolverem-se pra valer numa corrente séria e forte, agarrando essa oportunidade? São apropriadas suas colocações. O sucesso está na garantia de um trabalho conjunto, do empenho de todos; sobreposição de interesses públicos sobre os partidários a partir de decisões corretas. Dentre as inúmeras ações possíveis voltadas ao alcance desse "novo esporte" temos o Programa Segundo Tempo, resultado de um convênio firmado entre Ministério do Esporte e Prefeitura Municipal de Bauru. Pela proposta, este tem como objeto a implantação de 20 Núcleos de Esporte Educacional para atendimento de 2.000 alunos de ensino fundamental da Rede Municipal de Ensino, durante o contraturno escolar. Para isso, foram disponibilizados, por meio de verbas federais e municipais, aproximadamente R$ 800 mil.
Através das atividades buscar-se-á proporcionar acesso e iniciação ao esporte educacional a crianças e jovens que vivem em situações de risco social, possibilitando, seguindo diretrizes pedagógicas do programa, o desenvolvimento integral dos beneficiários, durante doze meses de intervenção. Após um longo e árduo ano de implantação, respeitando exigências burocráticas, legais e de responsabilidades fiscal e social, estamos finalizando essa etapa. Tínhamos programados seis meses de implantação, porém, esse atraso não pode ser visualizado como incompetência ou um problema a ser destacado e reforçado, mas sim como garantia de um trabalho sério que poderia somente ser feito por quem acredita nele, ao contrário de tantos outros que ficaram pelo caminho pela urgência ou desvio de finalidade.
Todas as ações estão coerentes às exigidas pelas agências fiscalizadoras. Com certeza, registraremos ganhos significativos por assumirmos, como base do Programa em Bauru, o Esporte Educacional. Pensamos em processos de formação e de iniciação voltados à ampliação da cultura esportiva dos nossos alunos, que se inicia na escola, sob a tutela da Secretaria da Educação, que favorecerão processos de especialização fora dela, sob responsabildiade da Semel. Nesse contexto, a formação de bons atletas será consequência certa do trabalho realizado, embora não seja essa a preocupação dos idealizadores do Programa. Novamente reforço a necessidade de um trabalho conjunto, no qual educação e esporte, ou a ordem inversa para quem preferir, caminhem juntos, porém respeitando cada um o seu papel, seu momento. Em Bauru não há Segundo Tempo sem a Secretaria da Educação e sem a Semel.
Com uma base escolar fortalecida, teremos, com certeza, um esporte referência. Entendo que o referido programa não será eterno, mas poderá deixar marcas positivas e se configurar como um marco para implantação de programas próprios e de políticas públicas que atendam, sobretudo, a interesses sociais da população e que realmente fortaleça Bauru como a Capital do Esporte do Interior.
Flávio Oliveira - coordenador geral do programa Segundo Tempo