08 de julho de 2026
Geral

Telhados brancos ‘ganham’ a cidade

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Numa época em que o ecologicamente correto dita a moda em diversos aspectos, morar também deve estar inserido nessa nova ordem. As variadas formas de sustentabilidade, desde o reaproveitamento da água até formas alternativas de energia para a casa, juntam-se a uma forma natural de conter o calor e, ao mesmo tempo, decorar o imóvel. Cada vez mais comuns nas cidades, os telhados brancos – ou até de outras cores, mas sempre com tonalidade clara – ganham o gosto e a casa de gente com preocupação não apenas em ornamentar o lar, mas também de cunho ambiental.

É que a cor branca absorve os raios solares em menor quantidade, combatendo as chamadas “ilhas de calor” – fenômeno climático comum em concentração de asfalto e concreto – e minimizando as altas temperaturas também dentro das casas.

A adesão pode ser constatada com um simples passeio pela cidade, repleta de casas, principalmente as novas construções, com telhados brancos ou demais tonalidades claras. A ideia ganhou ainda mais força nesta semana, na capital do Estado.

Os vereadores paulistanos aprovaram, semana passada, um projeto de lei que obriga as novas construções a adotar a pintura branca dos telhados como padrão.

Segundo o vereador Antônio Goulart (PMDB), autor da proposta, que ainda depende da sanção do prefeito Gilberto Kassab (DEM), a temperatura em São Paulo poderia ser até 2ºC menor, se toda a cidade adotasse os telhados brancos.

Além do projeto paulistano, a própria Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) mantém parceria com a ONG Green Building Council Brasil para a construção de casas populares nesses moldes.

Em Bauru, entretanto, de acordo com o setor de engenharia do escritório regional da companhia estatal, ainda não há projetos nesse sentido.

Segundo estudos da ONG, divulgados semana passada pelo jornal O Estado de S.Paulo, os telhados correspondem a 25% dos terrenos das cidades.

Contudo, bauruenses também já optam pelas coberturas mais claras. Numa loja de construções da cidade, é grande a procura por impermeabilizantes que clareiem as telhas e, respectivamente, refresquem o ambiente nas residências.

“Telhado claro repele o calor e temos procura por produtos agora já fabricados a base de água”, comenta Fábio Rogério de Souza e Silva, vendedor de um estabelecimento do ramo de construção em Bauru.

Consciência

Ele observa que a procura ainda não chega a ser grande, mas atesta que o público atrás de coloração clara para as coberturas demonstra consciência ecológica, assim como os moradores de condomínios, onde está a maioria das casas com telhados claros.

“É uma questão de consciência”, valoriza Marco Janovsky, gerente administrativo de um condomínio fechado de Bauru.

Segundo ele, não há qualquer obrigatoriedade, interna ou externa, de implantação desse tipo de telhado. “É por vontade dos moradores mesmo. Alguns telhados são pintados, outros de madeira”, detalha.

Para o engenheiro civil Chafik Chevid Neto, que atenta sobre a necessidade de estudos mais aprofundados acerca da alegada diminuição na temperatura do imóvel e respectiva contribuição coletiva, a medida pode ser o elo entre bom senso e qualidade nas construções. “Vai muito da questão do gosto também. Mas acho importante o aprofundamento dos estudos”, pondera.

Além do impermeabilizante claro, telhados de marfim ou de cerâmica branca, produzidos no Estado de Santa Catarina, também são procurados, frisa o vendedor Gilvan Tavares da Silva Júnior, que trabalha em outra loja do ramo na cidade.

No entanto, a pintura ainda é a solução com melhor custo benefício. Uma lata de impermeabilizante a base de água com 18 litros está orçada na faixa de R$ 140,00. “Quanto mais claro o telhado mais caro fica”, enfatiza o vendedor, sobre fixação de telhas que dispensam o pigmento com impermeabilizante.

Os que pensam apenas em deixar o telhado mais bonito, com a questão da temperatura de lado, podem optar pelas coberturas de concreto, que não influenciam na temperatura, ao menos para baixo no termômetro. “Na verdade, a telha de concreto esquenta”, comenta.