10 de julho de 2026
Política

Câmara critica postura de secretários

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 8 min

Dois secretários municipais foram alvos das cobranças e comentários dos vereadores, na sessão de ontem. De Fernando Monti, titular da Secretaria Municipal da Saúde, e Ricardo Oliveira, da Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear), os parlamentares cobraram mais eficiência. Ouvido pelo Jornal da Cidade, Monti também criticou a postura de alguns vereadores, que só cobram, mas não apresentam propostas. Já Ricardo elencou as ações da pasta e lembrou que a Sear acabou de ser reestruturada.

A artilharia contra o titular da Saúde começou com Gilberto dos Santos (PSDB). O tucano afirmou que nas duas últimas semanas tentou entrar em contato com o secretário e só conseguiu conversar ontem. “Queria saber duas coisas. A primeira é se enquanto as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) não ficavam prontas ele comprava equipamentos necessários para elas. A outra é sobre a demora na internação”, informou. “O secretário quase não fica em Bauru. Vamos cobrá-lo disso”, pontuou.

Francisco Carlos de Góes (PR) defendeu o secretário, que é do seu partido, e afirmou que todo o trabalho desenvolvido dará bons resultados. “Parece que a saúde é a ‘bola da vez’ na Câmara. Na verdade, o secretário faz um ótimo trabalho na Saúde e os frutos serão colhidos em breve”, garantiu.

Já Marcelo Borges (PSDB) criticou a escala de plantões elaborada pela secretaria. Antes, eram os próprios médicos que definiam os horários. “Houve a mudança, mas ela não foi boa”, afirmou. “Agora, médico que acabou de entrar na rede teve mais chance que o que trabalha há 10 anos na prefeitura”, disse. O tucano questionou quais os critérios adotados para a elaboração da escala de plantões. Amarildo de Oliveira (PPS) afirmou que fez oficialmente essa pergunta ao prefeito e disse que ainda não recebeu respostas

Ele também defendeu a cobrança dos deputados eleitos, para a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 29, que garante mais recursos à saúde. “É preciso garantir um investimento mínimo”, afirmou. Ele também questionou a atuação de Monti. “Vou perguntar quantos dias o secretário trabalha em Bauru”, disse.

Amarildo avalia que a inauguração das UPAs não resolverá o problema. “Na verdade, ao invés de um lugar concentrado, o problema estará em quatro pontos diferentes”, observou. “É ridículo pedir a cabeça de secretário, ma é hora de avaliar a gestão pública na saúde”, criticou. Roberval Sakai (PP), que já tinha sido bastante crítico à Saúde na sessão anterior, voltou a disparar contra Monti. “Tenho compromisso com a população e não com o senhor secretário. Voltei ao Pronto-Socorro nesta semana. E não é perseguição, ao contrário, a população me chamou até lá”, declarou. “Convido mais uma vez o secretário a visitar o PS”, criticou.

Mais uma vez Sakai criticou o atendimento a pacientes em corredores e defendeu os médicos. “Eles não têm culpa. Falta estrutura de trabalho. Uma viatura do Bombeiros ficou lá 50 minutos e não pôde sair para atender uma emergência porque faltava maca no Pronto-Socorro”, relatou. Para ele, é preciso melhorar ainda mais o salário dos médicos municipais.

Positivo

Paulo Eduardo de Souza (PSB) defendeu o PCCS, alegando que foi um projeto histórico, mas reconheceu que ainda há dificuldades. “O Pronto-Socorro parece um estado em guerra. O que acontece é desumano. Mas 90% dos casos atendidos lá não são de urgência e emergência”, observou. “E a falta de vagas é o calcanhar de aquiles. O sucateamento do HB levou a um abarrotamento de internações no Hospital Estadual, que agora está alterando seu perfil. De eletivo, está passando a emergência, para atender a demanda”, avaliou. Para o vereador, que também é médico, as UPAs serão um grande auxílio, mas ainda é necessário resgatar o Hospital de Base.

Ele pontuou que o problema enfrentado atualmente na Urgência e Emergência é que o PCCS trouxe mudanças, que causaram resistência de parte dos médicos. E explicou o critério para a formação das escalas. De acordo com Souza, há uma espécie de pontuação que avalia a antiguidade do profissional na rede, a assiduidade, a pontualidade e a performance.

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Estrutura "precária" da Sear é atacada

Uma simples moção de apelo se tornou palco para um desfile de críticas. Na sessão de ontem, ao comentar o pedido de Natalino Davi da Silva (PV) para a criação de um regional em sua área de atuação, a região do Pousada da Esperança, a oposição descarregou pesadas críticas ao secretário municipal de Administrações Regionais, Ricardo Oliveira. As críticas começaram com Marcelo Borges. O tucano afirmou que as sedes regionais funcionam de forma precária e servem apenas para ocupar cargos de confiança. “Não tem motivo para criar mais uma do jeito que essas estão”, afirmou.

Borges afirmou que muitas vezes uma moção de apelo é apoiada só em solidariedade ao colega. “Natalino, você está certo em pedir melhorias para seu bairro. Agora, se aprovarmos uma regional do jeito que está, estaremos brincando de ser vereadores”, opinou. Chiara Ranieri (DEM) também não apoiou a moção. “Acredito que mais uma regional não traria benefícios para a região. Não é ampliando a estrutura organizacional da pasta que teremos melhorias”, afirmou. Ela relatou que cada regional possui dois cargos em comissão. “O que importa é aumentar o número de pessoas operacionais, ter alguém que execute o serviço”, afirmou.

Amarildo de Oliveira emendou o coro. “Também não concordo com a concepção que essa secretaria foi retomada”, mas foi favorável à moção. “Como o Natalino pediu estudos para a criação de uma regional, concordo que tem que ter estudos. Mas não concordo com o modelo. Não existe metas, objetivos”, afirmou. “As regionais não podem ser mantidas para atender pedidos políticos”, ressaltou.

Roque Ferreira (PT) resgatou a história da Sear e seus trabalhos, mas também criticou a condução atual da pasta e da administração de Rodrigo Agostinho. Para o petista, não há plano de governo para Bauru, apenas uma carta de intenções. Assumindo mais uma vez o papel de líder momentâneo do Executivo, Francisco Carlos de Góes lembrou que a Sear passou por uma restruturação e ainda carece de infraestrutura. “Para ter melhores condições de trabalhar e atender a população vamos dar os maquinários e depois cobrar resultados”, pontuou. Ao final, a moção foi aprovada, com os votos contrários de Borges e Chiara.

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Monti defende mudanças

Fernando Monti, secretário municipal de Saúde, afirma que está restruturando o Pronto-Socorro e criticou postura de vereadores. “Vejo muitas críticas, mas não vejo uma proposta concreta para resolver os problemas”. Porém, admitiu que a alteração na escala, por exemplo, trouxe descontentamentos. “Há duas situações no Pronto-Socorro: os médicos que reivindicam privilégios e os que estão satisfeitos com as alterações”, observou. Para ele, os alguns parlamentares ‘tomaram partido’ do primeiro grupo de profissionais. “Há vereadores que estão agindo como porta-vozes dos médicos”, afirmou.

No entanto, Monti avaliou que pode rever o sistema. “Eu faço as coisas para funcionar. Não há problema algum em encontrar outra formação. Até mesmo que eles mesmo elaborem a escala. O que não pode é em alguns dias faltar profissionais para plantões. O esquema tem que atender a demanda de atendimento”, observou. O secretário também questionou as críticas que vêm sofrendo nas últimas sessões do Legislativo. “Então há dois meses, um ano, tudo funcionava no Pronto-Socorro? O PS era maravilhoso e só agora começou a dar problemas?”, disse.

Ele também rebateu os vereadores que afirmaram sobre a sua pouca permanência em Bauru. “Sempre deixei claro que sou professor fora da cidade. Mas isso não me desincompatibiliza para o cargo. E como secretário de Saúde ocupo assento em vários órgãos, o que me obriga a viajar com frequência”, observou, ressaltando que a secretaria possui ampla estrutura para atender as situações que surgirem. Para Monti, as inscrições para o último concurso para a contratação de médicos é um indício que o PCCS foi acertado. “Houve inscrição para todas as especialidades. Ao todo, 28 médicos se inscreveram para a prova”, afirmou.

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Oliveira enumera ações

Ricardo Oliveira. titular da Sear, lembrou que a pasta foi restaurada na gestão de Rodrigo Agostinho encontrou em 2009, com um orçamento que não foi elaborado para ela. O secretário também ressaltou as ações que a pasta tem desenvolvido nestes dois anos. “Respeito a manifestação dos vereadores, que representam o povo que os elegeram. Mas lamento a postura enviesada de alguns”, criticou.

Ele disse que ao assumir a pasta encontrou uma estrutura muito reduzida inclusive de pessoal. De acordo com Oliveira, a Câmara votou a diminuição de cargos, criando uma incongruência. “Temos quatro administradores de regionais e três assessores de regionais. É uma anomalia já que deixaram uma regional sem assessor”, observou. Ele afirma que na parte operacional conta com cerca de 40 servidores. “E tivemos que recompor o quadro, já que começamos com menos de 15 servidores na área”, afirmou. O secretário destaca que a Câmara também auxiliou na restruturação da pasta, com computadores e mobiliário que não eram mais utilizados. Para o secretário, mesmo com pouca estrutura e recurso, a pasta conseguiu desenvolver várias ações, como as reuniões do orçamento participativo, as frentes de trabalho com a patrulha viária, auxiliar a organização das associações de moradores.

Ele também questionou alguns vereadores, como Gilberto dos Santos. “Hoje (ontem) pela manhã, a assessoria dele entrou em contato com a Sear solicitando um serviço e na Câmara afirmou que a pasta nãos erve para nada. Eu não entendo”, observou. Oliveira destaca o serviço desempenhado pela Sear, lembrando que ela é uma das portas de atendimento direto com os moradores.