Marília – A Delegacia de Polícia Federal de Marília (100 quilômetros de Bauru) e o Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), desmantelaram ontem uma grande quadrilha de tráfico de drogas. Entre os detidos, estavam cinco advogados que trabalhavam para o crime. Dois foram presos em Araraquara (117 quilômetros de Bauru).
A operação denominada “Longa Manus” começou em maio deste ano com o monitoramente de uma advogada suspeita em Cândido Mota e, ontem, cumpriu ao todo 13 mandados de busca e apreensão e nove de prisão temporária. Destes, cinco eram advogados que, segundo as investigações, aproveitavam a função e o fácil acesso à prisão para atuar em prol do crime organizado.
Segundo o delegado chefe da Polícia Federal de Marília, Anilton Roberto Turíbio, todos estão ligados ao chefe da quadrilha, Orlando Marques dos Santos, conhecido como “Sarará”, que, mesmo preso na Penitenciária de Avaré, continuava comandando as operações criminosas.
“Nós apreendemos várias cartas que comprovam as ligações entre os advogados e o Sarará. Ele os utilizava como intermediários para transmitir ordens aos braços externos da quadrilha. Os advogados faziam visitas quase que diárias a ele”, aponta.
Dois dos advogados foram detidos em Araraquara. Além dos indícios levantados nas investigações, um deles também foi autuado em flagrante pois, em sua residência, os policiais encontraram um quilo de maconha.
O restante das prisões ocorreu em várias outras cidades do Estado, como Cândido Mota, Itanhanhém e na própria capital paulista. Uma das advogadas foi detida na tarde de ontem no Paraguai.
Durante todo o período de investigações da operação, foram apreendidos ainda 200 quilos de maconha em julho pelo Departamento de Narcóticos de São Paulo (Denarc) e três toneladas de cocaína em outubro pela Polícia Federal de Sorocaba.
Já especificamente na ação de ontem, além dos suspeitos e da maconha encontrada com um dos advogados, foram apreendidos também uma arma de fogo e aproximadamente R$ 184 mil em moeda nacional e estrangeira. O delegado apontou que o êxito da operação certamente traz um grande prejuízo ao crime organizado.
“Esse Sarará é um dos maiores chefes do crime. Ele tem um patrimônio oriundo do tráfico muito grande. Para se ter uma ideia, as investigações chegaram a uma imobiliária da capital que funciona quase que exclusivamente como fachada das atividades criminosas dele”, completa.
Também foram apreendidas uma grande quantidade de documentos e computadores, cujos arquivos e conteúdos serão analisados pela polícia. Todos os detidos serão indiciados por tráfico de drogas e associação. O chefe da quadrilha, que já cumpre pena na Penitenciária de Avaré, também responderá por esses novos crimes.