10 de julho de 2026
Política

Laudo aponta aterro livre de chumbo

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 5 min

O resultado da nova análise das amostras de água colhida em pontos do aterro sanitário e ao seu redor saiu ontem. De acordo com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), nenhum poço de monitoramento do aterro apontou contaminação por chumbo. Apenas duas das a-mostras, colhidas em poços longe do local, apresentaram presença de chumbo superior ao limite. Em uma delas, 24 vezes acima do valor máximo permitido, que é 0,01 miligramas do metal por litro de água.

O resultado foi entregue ontem à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e confere com o que foi diagnosticado em maio passado. Mas, no final de 2009, amostras colhidas no aterro apontaram contaminação por chumbo até 40 vezes superior ao permitido. O laudo e a suposta contaminação simplesmente desapareceram de cena. O episódio nasceu ainda na gestão de Rubito Ribeiro no comando da Emdurb.

Em maio passado, novo laudo apontou que em 11, dos 12 poços, não havia contaminação. Insegura, a Emdurb decidiu licitar a análise. Foi contratada a empresa Bioagri para fazer a coleta e as análises das águas subterrâneas e superficiais do aterro e seu entorno. No último mês de outubro, técnicos da empresa estiveram na cidade e colheram amostras de 12 poços de monitoramento e dos córregos Gabiroba e Corumbá, próximos ao terreno.

De acordo com a Emdurb, a Cetesb exige amostragem e análise por laboratório com certificação em todos os parâmetros, para evitar erros nos resultados. A técnica usada para a coleta foi a de baixa vazão, que de acordo com a empresa municipal é a mais adequada para o procedimento. O resultado divulgado ontem pela Emdurb traz o que já tinha sido conferido em maio: nas amostras colhidas na área do aterro, não há contaminação por chumbo.

Outros dados

De acordo com Flávia Souza, gerente de resíduos sólidos da Emdurb, as amostras que apresentaram presença do metal em níveis acima do limite, estão distantes do aterro e em posições que mostram que o chumbo não teria vindo dele. “Eles estão à montante do aterro. No mais distante deles, foi verificado chumbo 24 vezes acima do permitido. No mais próximo, duas vezes”, aponta. O lençol freático apresenta movimentação de água e nos poços que apresentaram chumbo, a água passa antes de chegar ao aterro.

Para a gerente, o laudo elaborado mostra que os poços do aterro estão livres da contaminação do metal. “Em relação ao chumbo, está certo”, pontua. “As análises corroboram o que foi obtido em anteriormente”, avalia. A próxima coleta de material para estudo será feita daqui seis meses, em abril do ano que vem - está prevista a realização de coletas semestrais, divididas nos períodos de seca e períodos chuvosos do ano.

“Agora, vamos aguardar a análise da Cetesb, que fará levantamento com os laudos anteriores. Pelo histórico, a companhia avalia se é necessário fazer mais uma coleta, se é preciso perfurar mais poços. Para nós é interessante essa resposta, para termos dados para controle”, ressalta.

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Preocupação com a “pluma”

Uma preocupação da gerente da Emdurb, Flávia Souza, é em relação ao poço que apresentou contaminação acima do permitido. Flávia não soube identificar o que pode ter originado essa concentração. “Pode existir algum pico, alguma contaminação de fora, mais antiga. E ela pode estar descendo pelo solo”, pondera.

A especialista avalia que pode se tratar de uma “pluma” contaminada, que também pode caminhar em direção ao aterro, atingindo o terreno. “Alguns estudos devem ser feitos para verificar a direção dessa pluma e o que pode ser feito em relação a isso”, observa.

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Relembre o caso

Em 19 de novembro de 2009, quando a Emdurb era presidida por Rubito Ribeiro, que também foi assessor de gabinete do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), a empresa realizou coletas da água dos poços de monitoramento do aterro e encaminhou o conteúdo para análise junto ao laboratório da USP, em São Carlos.

No final de dezembro do ano passado, o estudo apresentou que estas amostras coletadas pela própria Emdurb continham níveis de chumbo até 40 vezes acima do normal. Em janeiro deste ano, Nico Mondelli foi escalado pelo prefeito para o lugar de Rubito e tomou conhecimento do laudo.

Porém, o resultado só foi revelado em março, ainda assim, através de apuração levantada pelo JC. A empresa jamais disponibilizou o laudo controverso. Nos bastidores, a suspeita que ficou é de que a coleta pode ter sido prejudicada. Ou seja, a universidade analisou o que foi levada até ela, mas alguém da Emdurb é quem retirou o material dos pontos de coleta e ninguém soube informar, até então, sob quais condições.

Diante da notícia, a própria Cetesb realizou novas coletas no aterro, divididas em duas etapas, em março e abril. Até hoje não se sabe o conteúdo dessas verificações. Nico também contratou empresa para analisar a água do aterro. Ele solicitou ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) que realizasse a análise em seu laboratório. A autarquia avaliou as amostras enviadas pela gerente ambiental da Emdurb, a química Flávia Souza, que foi alçada ao cargo durante a polêmica.

Segundo o estudo feito pelo DAE, havia presença de chumbo nas amostras coletadas, porém, dentro dos níveis aceitáveis. Mas o comando da autarquia decidiu não apresentar o relatório à Emdurb, pois provocaria confronto com análise efetuada pela Cetesb. Além disso, não seria respondido quais procedimentos foram utilizados no ato da coleta do material.

O resultado obtido pela Bioagri Ambiental e protocolado na Cetesb concluiu que em 11 poços de monitoramento não há contaminação por chumbo. Em um único ponto o produto aparece, mas em nível muito baixo. A dúvida recaiu sobre a coleta realizada em novembro de 2009, nas amostras que apresentaram grande presença de chumbo.