Do início do mês até anteontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) conseguiu recensear quase 3,5 mil moradores em Bauru, que se somaram aos 335.888 iniciais computados pelo Censo 2010 na cidade. Agora, encerrada oficialmente a transmissão de dados da coleta, o município conta com 339.355, sendo 164.429 homens e 174.926 mulheres.
Mas este número deverá crescer para até 342 mil porque, durante o levantamento, foram identificados 1.562 domicílios fechados, onde há indícios de haver moradores, mas ninguém foi encontrado para responder ao questionário. “Para somar esses habitantes que não foram recenseados, o IBGE usa uma média de moradores por domicílio (que deve ser menor que a média da cidade, de 3,14) e multiplica pelo número imóveis fechados”, explica a coordenadora da subárea do Censo em Bauru, Matilde Tabanez dos Santos Pereira.
Além deste acréscimo, serão somados ainda os habitantes de um setor censitário - dos 540 em que a cidade foi dividida - que apresentou problemas no momento da transmissão de dados, anteontem. O resultado definitivo será encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU) no dia 27 de novembro e divulgado à população apenas no mês que vem.
Apesar do aumento, o total de habitantes frustrou as expectativas do prefeito Rodrigo Agostinho e de grande parte da população de Bauru, que - baseados em dados como número de veículos, de eleitores, ligações de energia elétrica e volume de lixo coletado - esperavam que a cidade atingisse 400 mil moradores. Diante do desapontamento gerado pelos números abaixo até mesmo da estimativa do próprio IBGE, Matilde destaca que é “impossível” o instituto ter cometido um erro de contagem de 60 mil pessoas, população equivalente à cidade de Lençóis Paulista.
“É claro que não existe perfeição, mas as falhas são mínimas. Realmente, a gente tem a impressão de que Bauru tem mais habitantes, mas isso ocorre porque ela é um pólo regional que atrai diariamente milhares de pessoas de outros municípios, seja para fins de estudo, lazer ou trabalho”, pontua.
Um dos principais questionamentos feitos pelo prefeito Rodrigo Agostinho, que protocolou recurso anteontem para demonstrar desaprovação sobre o resultado apontado pelo censo, é justamente o não-cadastramento dos estudantes universitários que fixam residência na cidade por, pelo menos, quatro anos. Atualmente, estima-se que eles sejam 35 mil pessoas que injetam recursos na economia da cidade, mas também fazem uso dos equipamentos públicos de que o município dispõe, seja na área de transporte, segurança, saúde, lazer, entre outros.
Impacto
O chefe da unidade estadual do IBGE em São Paulo, Francisco Garrido Barcia - que esteve em Bauru ontem para uma reunião que marcou o encerramento da coleta, reconhece o impacto que este contingente representa para a cidade e, inclusive, não descarta a possibilidade de que, futuramente, o instituto possa rever sua metodologia para incluí-los na contagem (leia mais abaixo). No entanto, esclarece que, por ora, os conceitos técnicos e metodológicos adotados atualmente precisam ser respeitados.
“Nós entendemos o anseio da cidade, mas o Censo 2010 demonstrou a realidade da cidade. Visitamos todos os domicílios e fizemos as entrevistas como definido pela metodologia. É um trabalho complexo, mas executado de forma excelente”, analisa.
Para justificar a discrepância entre o crescimento do número de eleitores nos últimos 10 anos (de 22%) em relação ao aumento populacional (de 7,4%), Barcia ressalta que a diferença era prevista, já que a queda na taxa de fecundidade fez com que o número de adultos com idade para votar sofresse elevação. “A população está envelhecendo e, por consequência, o contingente eleitoral está aumentando”, resume.
De fato, os números preliminares do Censo 2010 divulgados ontem apontam que a cidade está ficando mais idosa. Enquanto o percentual de pessoas a partir de 69 anos chegou em 6,13%, o de crianças com 3 anos ou menos caiu para 3,54%. “A pirâmide etária está se invertendo. O número de pessoas idosas cresceu muito, principalmente entre os homens”, pontua Matilde.
Em relação à taxa de crescimento populacional histórica, Bauru expandiu seu tamanho em 16,6 vezes nos últimos 90 anos. O ritmo de aumento de uma década para outra, no entanto, vem desacelerando desde os anos 1970.
“Na verdade, a redução destes índices de crescimento devem ser considerados uma vitória. Assim como Bauru, o País está alcançando os níveis dos países desenvolvidos e isso é resultado direto do trabalho desenvolvido pelas administrações públicas. É reflexo da efetivação do planejamento familiar, da redução das migrações e do aumento da longevidade da população”, esclarece.
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Recurso não mudará números
A contestação protocolada pelo prefeito Rodrigo Agostinho sobre os números do Censo 2010 será encaminhada ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em São Paulo ou no Rio de Janeiro, que irá enviará uma resposta formal ao município. Mas o chefe da unidade estadual do IBGE em São Paulo, Francisco Garrido Barcia, adianta que o resultado do levantamento concluído anteontem não será revisto, já que o instituto entende que não houve erro na contagem.
“Temos convicção de que fizemos uma excelente cobertura na cidade. O número de unidades visitadas é muito coerente com a capacidade física do município e com o total da população alcançada”, afirma, salientando que todos os argumentos apresentados no documento enviado a ele pelo prefeito serão rebatidos, se necessário, por meio da consulta à base de dados do IBGE.
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No futuro, metodologia poderá ser rediscutida
Cerca de 35 mil estudantes universitários de Bauru não foram computados entre os habitantes da cidade no Censo 2010 porque a metodologia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - que obedece a padrões internacionais - os considera população flutuante. Por isso, são contados em seu município de origem. No entanto, devido ao impacto econômico - positivo e negativo - que representam para as cidades onde permanecem durante grande parte do período de estudos, é possível que passem a ser incluídos como moradores do município em levantamentos futuros.
Segundo o chefe da unidade estadual do IBGE em São Paulo, Francisco Garrido Barcia, o instituto sempre esteve aberto para discutir as demandas das cidades e não entende que sua conceituação metodológica seja imutável. “Durante a realização do Censo, nós nos reunimos com comissões cujo membros incluíam representantes da prefeitura e temos a intenção de que esse grupo seja mantido para que essa parceria entre municípios e IBGE seja estreitada”, considera.
Barcia lembrou que, atualmente, o IBGE só considera morador da cidade aquele que permanece nela por 12 meses ininterruptos, o que não ocorre com os universitários, que têm por hábito retornar periodicamente para a casa dos pais. Mas, segundo a coordenadora da subárea do Censo em Bauru, Matilde Tabanez dos Santos Pereira, nem todos eles deixam de ser contados como moradores. “Aqueles que trabalham na cidade e não vão para sua cidade, por exemplo, em época de férias escolares, serão incluídos como habitantes de Bauru”, pontua.