10 de julho de 2026
Rural

Clima adiará para janeiro maior oferta de bovinos de pasto


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A estiagem prolongada até o final de setembro neste ano afeta a recuperação das pastagens no Centro-Oeste e pode provocar atraso de mais de um mês na oferta de boi de pasto pronto para abate, o que deve contribuir para manter os preços em patamares elevados no mercado interno.

Analistas do setor disseram que a oferta de boi terminado a pasto, ou seja, do animal que passou por engorda após o período da seca, só deve ocorrer a partir do final de janeiro. Cenário que contribui para manter os preços da arroba, que atingiram recordes neste ano, sustentados no período.

“Sempre temos as primeiras chuvas em setembro, mas este ano vieram somente no final de outubro. Isso vai atrasar em uns 60 dias a oferta de gado terminado a pasto”, afirmou Antenor Nogueira, presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte, que numa previsão mais pessimista avalia que o pico da oferta de animais de pasto só deve ocorrer em março.

O Centro-Oeste, que segundo Nogueira concentra aproximadamente 60% do rebanho do País, ainda teve o agravante das inúmeras queimadas nas áreas de cerrado. “Quando o pasto é queimado, a rebrota demora mais”, afirmou.

Demanda em alta

O problema ocorre justamente no período em que a demanda por proteínas animais se fortalece com recursos do 13o salário e os preparativos para os feriados de fim de ano. Nogueira avalia que a situação só poderia ser revertida se a região recebesse um volume de chuvas mais concentrado. “O que não vem ocorrendo”, acrescentou.

Em algumas regiões de Mato Grosso, Estado com maior rebanho no país, o atraso nas primeiras ofertas pode ser de um mês, segundo relato do diretor técnico da AgraFNP, José Vicente Ferraz, que esteve na região na semana passada.

“Agora as chuvas começam a se normalizar. Os pastos em Rondonópolis (sul do Estado) estão verdes e rebrotando, mas a oferta de boi gordo só deve começar na segunda quinzena de janeiro”, afirmou Ferraz.

Se o ritmo do setor fosse mantido, os animais para abate da região Centro-Oeste começariam a chegar ao mercado em meados de dezembro, contribuindo para esfriar o movimento de alta registrado desde agosto nos preços.

“O normal seria que já saísse um volume melhor de gado em dezembro, mas agora isso só deve ocorrer em janeiro”, afirmou Ferraz. “É preciso considerar que não é só o clima. Este é mais um fator, que se soma ao problema de escassez de oferta”, acrescentou Ferraz.

A analista do mercado de boi da Scot Consultoria, Gabriela Tonini, ressalta que no período inicial das chuvas, a lotação de animais é menor para permitir o crescimento do capim. “Não adianta comprar bezerro nesta fase se o animal não pode engordar no campo”, disse.

A seca mais prolongada e com maior intensidade neste ano dificulta a engorda dos animais. “Alguns animais já estão debilitados, porque nem todos conseguiram fazer a suplementação adequada”, aponta Luciano Vacari, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat).

Segundo Vacari, o resultado é que a restrição de gado que marcou 2010 vai persistir.

“O pecuarista não segura gado pronto, o que acontece é que a oferta de gado é menor mesmo”, disse, acrescentado que a situação reflete o abate de matrizes feito entre 2006 e 2007, e a consequente redução no número de bezerros.

A Acrimat estima que o abate de animais em Mato Grosso deve ficar entre 4,3 e 4,4 milhões de animais este ano no Estado. “O abate só não é maior por causa da restrição de oferta”, afirma. Cerca de 70 por cento da produção do Estado é destinada ao mercado interno.

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Acomodação

O professor e pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, Sérgio De Zen, observa que o preço da arroba arrefeceu, mas ele atribui o movimento a um ajuste de mercado. O indicador Esalq/BMF&/Bovespa chegou a bater o recorde de R$ 117,18 por arroba recentemente, mas nesta segunda-feira já havia recuado para R$ 113,10.

A alta expressiva da arroba ao longo do ano foi repassada para o varejo e teve reflexos na inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) avançou 0,85% na terceira prévia de novembro, maior resultado desde a primeira semana de abril, puxado pelo aumento do grupo Alimentos, informou na terça-feira a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O aumento de 9,43% registrado para as carnes bovinas puxou para cima o grupo de Alimentos, disse a FGV.

“Agora temos uma acomodação, até encontrar equilíbrio. Mas fica difícil saber qual é o limite, é preciso olhar as condições do mercado”, afirmou De Zen.

Ele acrescenta que grande parte dos bois prontos que chegarem ao mercado no período já devem estar atrelados a contratos de venda e é possível que os preços no mercado disponível (spot) continuem sustentados, mesmo com a oferta maior esperada em janeiro.

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IBGE: rebanho totaliza

205,29 milhões em 2009

O rebanho brasileiro de bovinos somou, em 2009, 205,292 milhões de cabeças, considerando os animais existentes em 31 de dezembro daquele ano e levando-se em consideração tanto os destinados à produção de carne como à de leite, segundo mostra pesquisa divulgada anteontem pelo IBGE. Na comparação com 2008 (202,287 milhões de cabeças), houve um incremento de 1,5%, ou seja, de 3,005 milhões de animais.

Segundo o documento de divulgação da pesquisa, na distribuição regional, o Centro-Oeste abrigou o maior percentual (34,4%) do efetivo nacional de bovinos no ano passado, seguido pelo Norte (19,7%). O Sudeste veio em terceiro lugar (18,5%), seguido pelo Nordeste (13,8%) e pelo Sul (13,6%).

Entre os Estados, Mato Grosso apresentou o maior número de animais, com 13,3% do efetivo de bovinos, seguido por Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, com participações de 10,9% cada. Em seguida vieram Goiás (10,2%), Pará (8,2%), Rio Grande do Sul (7,0%), Rondônia (5,6%), São Paulo (5,5%), Bahia (5,0%) e Paraná (4,7%). Esses dez Estados, juntos, responderam por 81,3% do rebanho nacional de bovinos.

No que diz respeito aos municípios, Corumbá (MS) foi o maior produtor de bovinos, com cerca de 1,973 milhão de cabeças em 2009, representando 1% do efetivo nacional. Em seguida vieram São Félix do Xingu (PA), com 0,9%, e Ribas do Rio Pardo (MS), com 0,6%.

Os técnicos do IBGE destacam, no documento de divulgação, o ganho de importância de Porto Murtinho (MS) que, em 2008, ocupava a 12ª posição no ranking dos principais municípios e, em 2009, passou a figurar em 5º lugar, registrando aumento de 25,3% no seu efetivo ante o ano anterior.

Segundo a pesquisa, o Brasil tem o segundo maior rebanho de bovinos do mundo, atrás apenas da Índia (de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - FAO). Além disso, o País é o segundo maior produtor de carne bovina, depois dos Estados Unidos, e maior exportador mundial do produto.