No último dia 27 (sábado), exatamente às seis horas da madrugada, fui acordada com sons de rojões e uma música muito alta. Acordei sobressaltada, pois ainda estava escuro e o barulho perdurou por pelo menos trinta minutos, o bastante para que eu realmente despertasse e não mais conseguisse retornar ao sono, desejo de alguém que já havia acordado de madrugada a semana toda e desejava descansar em seu final de semana.
No outro dia, antes de escrever meu protesto, verifiquei que este desrespeito à minha individualidade era parte da programação da Paróquia Nossa Senhoras das Graças, situada no Parque Vista Alegre, chamada “Alvorada Festiva”. Festiva para quem? Eu mesma respondo: para aqueles que freqüentam aquela Igreja ou professam aquela fé. Estes deveriam soltar seus rojões e ouvir a música que sai de seu alto falante entre as quatro paredes de sua Igreja.
Apesar de meu comentário ter soado um tanto ríspido, digo em minha defesa que vivo em um país cuja Constituição é laica, ou seja, não me obriga professar nenhuma religião. Creio que o fato de ter sido obrigada a despertar naquele dia me fez tomar parte de uma comemoração contra a minha vontade, pois fui coagida a escutar a música altíssima que embalava a festividade, o mesmo som que sai todos os dias dos altos falantes daquela igreja, pontualmente às 18h.
Concluindo, não desejo com este protesto entrar no mérito das religiões ou da liberdade de culto. Todas as religiões, sem exceção, devem respeitar o bom senso, as leis municipais e a Constituição que, inclusive, preserva por força da lei, a paz de seus cidadãos.
Ana Maria Lopes, professora